O
diabetes é a terceira causa de morte no mundo, superada apenas pelas doenças
cardio-circulatórias e pelo câncer. Calcula-se que, de cada 100 pessoas,
sete sofram com o mal. Isto equivale a cerca de 180 milhões em todo o
planeta e esse número pode dobrar até 2025 - uma epidemia emergente, de
acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Nunca houve tantas mortes
relacionadas à enfermidade: são quatro milhões por ano. A responsável
por esse quadro é uma mistura de desinformação com o pior da vida moderna
- sedentarismo e maus hábitos alimentares. "Falta uma ação educativa que
faça chegar à população o conhecimento sobre recursos, prevenção e a maneira
de lidar com o problema", diz a metabologista Fernanda D'Elia (SP), especialista
no assunto. No Brasil, a metade dos 16 milhões de diabéticos sequer desconfia
que tem a doença, segundo o Ministério da Saúde. Cerca de 23% dos que
sabem não seguem tratamento algum e 80% não se cuidam adequadamente.
Felizmente, novas pesquisas e métodos - engenharia genética, transplantes,
remédios de última geração - avançam no sentido de trazer mais qualidade
ao dia-a-dia do paciente. A descoberta mais importante, no entanto, não
passa pelos laboratórios ou centros cirúrgicos, mas pelo bom senso. "É
possível controlar e até evitar a doença quando se adota um estilo de
vida saudável", diz a endocrinologista Caroline Bulcão (SP), mestranda
em diabetes na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com uma ressalva:
há casos em que, além da mudança de hábitos, é necessário tomar medicamentos.
| Sentir
muita sede, urinar com freqüência acima do usual, ter perda de peso
inexplicável e visão embaçada podem ser sinais da doença |
Para a Associação Americana de Diabetes, trata-se de uma doença degenerativa
crônica classificada em vários tipos. Porém, em 99% dos casos, é diagnosticada
de uma só forma: pelo aumento de glicose no sangue. "É a manifestação
comum às 58 formas conhecidas do problema", diz o endocrinologista Freddy
Eliaschewitz (SP), do Núcleo de Terapia Celular e Molecular da Universidade
de São Paulo e do Hospital Albert Einstein. Cerca de 90% dos diabéticos
estão classificados no que se chama tipo 2, o mais usual e o responsável
pelas estatísticas sombrias relatadas pela Organização Mundial de Saúde.
De 5% a 10% pertencem ao tipo 1. Os 56 tipos restantes são formas raras
e se encaixam em apenas 2% dos casos.
Ritmos diferentes
Para entender a doença é preciso saber que glicose e insulina dependem
uma da outra - e ninguém sobrevive sem elas. A glicose é o combustível
para os mais de 100 trilhões de células do organismo. É obtida a partir
dos alimentos que, depois de digeridos, são transformados em glicose (açúcar)
que chega às células por meio da corrente sangüínea. Para entrar em cada
uma delas e fornecer a energia necessária para que tudo funcione corretamente,
a substância precisa de uma espécie de chave fabricada pelo pâncreas,
o hormônio insulina. Esta última acompanha os altos e baixos das taxas
de glicose a que o corpo está sujeito, dia e noite. Nenhuma das duas pode
sobrar ou faltar. O que ocorre no diabetes: há carência completa ou parcial
de insulina. Resultado: o açúcar não tem como entrar nas células e estaciona
no sangue.
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