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Edição 32 - Outubro/2006
 
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  Pânico à espreita
O transtorno que provoca a sensação de morte iminente vem acompanhado por alguns tipos de fobia. É duas a quatro vezes mais comum em mulheres do que em homens e precisa ser tratado logo nas primeiras crises

POR STELLA GALVÃO FOTO FERNANDO GARDINALI

É algo desesperador e atemorizante. Imagine a sensação de morte iminente por um ataque cardíaco. A pessoa sente falta de ar, o coração dispara e o suor pode empapar a roupa. Em questão de segundos, é inexplicavelmente tomada por uma série de sintomas: boca seca, tremores, taquicardia, falta de ar, mal-estar na barriga ou no peito, sufocamento, tonturas. Essa é a descrição clínica para o que ocorre durante uma crise de síndrome do pânico, também chamada de transtorno do pânico. O distúrbio nada mais é que uma das formas de manifestação da ansiedade patológica, e uma das mais limitantes para a vida do paciente. “Os sintomas do transtorno do pânico são muito intensos, claramente acima do que poderia ser considerado o limite de ansiedade normal”, afirma o psiquatria Luiz Alberto Hetem, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

O que caracteriza o pânico é a forma súbita com que os sintomas aparecem e o fato de a crise atingir o pico em até 10 minutos. Quem sofre com o mal vive em constante sobressalto, pois não sabe se as crises vão se manifestar novamente dali a minutos, horas, dias ou meses, o que gera intranqüilidade e insegurança. O psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Transtornos de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP, esclarece que é freqüente as crises serem acompanhadas pela sensação de que algo trágico, como morte súbita ou enlouquecimento, está por acontecer. “É comum a pessoa ter uma reação comportamental de pânico e sair à procura de socorro”, afirma. Não por coincidência o pronto-socorro é um dos lugares onde o médico mais se depara com transtornos de pânico.

Atenção aos primeiros ataques

Os especialistas no transtorno fazem a seguinte ressalva: quanto mais preciso o diagnóstico e mais precoce o início do tratamento, maiores as chances de reversão do quadro. É comum, ainda, pessoas com transtorno de pânico fazerem uma verdadeira peregrinação por médicos de diversas especialidades antes de serem encaminhados para um psiquiatra ou para um psicólogo. Isso decorre, de acordo com o especialista Luiz Alberto Hetem, da variedade dos sintomas físicos normalmente apresentados pelo paciente. A demora na abordagem correta pode resultar na instalação de complicações — as mais comuns são depressão, outros transtornos de ansiedade e abuso de álcool.

Devido às características individuais e à maneira como cada um reage a situações de conflito no dia-a-dia, o problema ocorre de forma diferenciada. Há graus leve, moderado e grave, de acordo com a intensidade dos sintomas

O transtorno é de duas a quatro vezes mais freqüente nas mulheres, mas também pode ocorrer com sinais se melhantes nos homens. A maior freqüência entre elas é atribuída aos efeitos das alterações hormonais sobre algumas estruturas cerebrais. “O mais comum é que o primeiro episódio de pânico se dê no início da idade adulta, mas pode ocorrer em préadolescentes e adolescentes”, es clarece o psiquiatra Luiz Alberto Hetem. É ra ro ocorrer em pessoas com mais de 65 anos. Em contrapartida, entre crianças com menos de 12 anos, o equivalente ao transtorno de pânico é o transtorno de ansiedade de separação (dos pais, da família em geral). É comum que crianças que apresentaram ansiedade de separação desenvolvam pânico na vida adulta.

Causas e intensidade das crises

As razões que levam ao transtorno permanecem desconhecidas. “A genética pode ter um papel importante, bem como influências ambientais, como a educação e circunstâncias de vida”, diz o psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, supervisor do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Os gatilhos ou fatores desencadeantes podem variar de ca so para caso. São exemplos as pressões no trabalho, iminência de casamento ou de separação, nascimento de filho, perda de emprego, de dinheiro e outras perdas significativas.

De acordo com Luiz Alberto Hetem, o pânico enquadra-se entre os transtornos de origem multifatorial, ou seja, envolve a participação de fa - tores genéticos (predisposição), do mo mento de vida do indivíduo, principalmente aquele em que ele se sente desamparado, e do nível de estresse a que a pessoa está submetida. “Em alguns casos o primeiro ataque de pânico tem nítida relação com uso de drogas (maconha, cocaína, ecstasy)”, acrescenta o especialista.

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