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Edição 32 - Outubro/2006
 
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  Derrame cada vez mais cedo
Os males da vida moderna têm antecipado a ocorrência desse acidente vascular cerebral (AVC) na população. Saiba o que fazer para não ser surpreendido

POR ADRIANO CATOZZI

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENS. ILUSTRAÇÃO: MG STUDIOO acidente vascular cerebral (AVC), chamado popularmente de derrame, não é mais um mal exclusivo de idosos. As mudanças de hábitos de vida experimentadas pela população economicamente ativa nos últimos anos, decorrentes de uma sociedade mais e mais competitiva, têm tornado o AVC cada vez mais freqüente entre jovens, fazendo vítimas até mesmo antes dos 30 anos.

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) possui uma linha de pesquisa contínua sobre o assunto, com um universo pesquisado de 1050 indivíduos. “Os primeiros dados do levantamento demonstravam que 25% do total de vítimas de AVC atendidas eram jovens. Hoje esse índice subiu para aproximadamente 32%”, revela a neurologista Viviane Flumignan Zétola, coordenadora do estudo.

A hipertensão arterial foi a causa mais freqüentemente encontrada. Po rém o tabagismo, o aumento nos ní veis de colesterol e o alcoolismo foram os fatores de risco mais prevalentes. É importante salientar que a faixa etária considerada jovem pelo estudo compreende pessoas com ida de abaixo de 49 anos e 11 meses. “Existem outras estatísticas que consideram até 45 anos, mas com o aumento da longevidade, tendemos a aumentar também esses limites”, explica a médica Viviane Zétola.

“A principal causa de AVC é a aterosclerose, uma patologia influenciada por hábitos de vida como sedentarismo, tabagismo, obesidade, alimentação com altos teores de gordura e estresse. E isso permanece muito presente na vida dos habitantes de grandes cidades do mundo ocidental”, lembra o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Airton Delduque Frankini, de Porto Alegre (RS).

É possível prevenir

A melhor maneira de fugir do derrame é combater os fatores de risco para a aterosclerose, o que se faz com atitudes pró-ativas, ou seja: se alimentar corretamente (evitar o consumo de sal e gordura), fazer exercícios diários, não fumar, bem como controlar peso, pressão arterial e diabetes — doença que favorece o derrame. Além disso, o que nem todo mundo sabe é que existem sinais de que um AVC possa estar a caminho, e seria importante ficar atento. Entre eles estão: perda visual transitória, diminuição da sensibilidade e da força em um lado do corpo, dificuldades para andar e falar. Todos de característica súbita, normalmente de re cuperação em período menor de 24 horas e sem possibilidade de deixar seqüelas. Por isso, são chamados de ataques is quêmicos transitórios.

Aos primeiros sintomas, o paciente deve procurar o médico, mesmo na dúvida entre um caso transitório ou um AVC efetivo. Quanto mais breve for o atendimento, maior será a possibilidade de tratamento.

Para os casos de pacientes que já tiveram um derrame, um estudo publicado recentemente na revista norte- americana Stroke demonstrou que o medicamento cilostazol é eficaz para inibir a progressão e induzir à regressão das placas de aterosclerose em artérias cerebrais, evitando a reincidência. “Por outro lado, pacientes bem examinados pelo seu especialista podem ter detectada precocemente a estenose (estreitamento e/ou entupimento por placas de gordura) da artéria carótida, principal responsável pela irrigação sangüínea do cérebro”, garante o médico gaúcho Airton Frankini.

Com o uso do estetoscópio sobre o pescoço, o médico tenta auscultar uma espécie de ‘sopro’. Este som indica que pode haver algum problema obstruindo a passagem de sangue para o cérebro. Dependendo do caso, pode ser indicada uma cirurgia antes mesmo do desenvolvimento dos sintomas iniciais de AVC. Isso pode ser feito por cirurgia convencional, como se faz há mais de 50 anos, ou por modernas técnicas de angioplastia, com bons resultados também.

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