Silenciosa até manifestar-se por meio de fraturas ósseas, a osteoporo se prevalece entre o sexo feminino. Estima-se que, depois da menopausa, após os 50 anos, uma em cada três mulheres terá a doença. Diferentemente do que muitos imaginam, porém, não se trata de uma preocupação exclusiva delas. De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), do Ministério da Saúde, dos 712 homens avaliados com idade superior a 50 anos, 19,5% eram vítimas dessa condição clínica caracterizada pela diminuição grave da massa óssea.
Nos Estados Unidos, a doença nos homens acima de 50 anos atinge de 3% a 6% da população (ou seja, por volta de dois milhões de vítimas do sexo masculino) - sendo que de 8 a 13 milhões já apresentam osteopenia (diminuição da massa óssea, ainda sem a presença da osteoporose) e 13% corre risco de fratura. "Homens perdem cerca de 1% da massa óssea por ano a partir da quinta década de vida. Cerca de 30% de todas as fraturas de quadril ocorrem neles e um a cada oito homens com mais de 50 anos terá pelo menos uma fratura relacionada à osteoporose", ex plica Cristiano Zerbini, médico-assistente do serviço de reumatologia do Hospital Heliópolis (SP). Em 2001, Zerbini publicou na especializada revista Osteoporosis In ter national um estudo com 325 homens com mais de 50 anos, comprovando que 15,4% deles tinham a doença e outros 44,6% apresentavam osteopenia.
ALERTA: A PESSOA QUE TEVE UMA PRIMEIRA FRATURA CORRE O RISCO EXPONENCIALMENTE MAIOR DE SOFRER UMA SEGUNDA FRATURA
Riscos são maiores
A doença aparece mais tarde nos homens, por volta dos 75 anos. Enquanto elas costumam apresentar o problema aos 65 anos. No caso deles, porém, a osteoporose oferece mais riscos de levar à morte. Das pessoas que têm fratura no fêmur proximal (osso da coxa na parte mais próxima ao quadril), por exemplo, um terço se recupera totalmente, um terço fica com alguma incapacidade física e entre 20% e 33% pode falecer durante a cirurgia ou pós-operatório. Segundo o geriatra João Toniolo Neto, diretor do Núcleo de Pesquisa da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a mortalidade entre os homens é quase duas vezes maior do que nas mulheres. "Por surgir mais tardiamente, a osteoporose mas culina costuma vir acompanhada por outros agravantes, como diabetes, en fisema, problemas cardíacos e renais", explica o médico. Resultado: enquanto 19% das mulheres morrem, em média, um ano depois da fratura de fêmur, no sexo masculino esse índice sobe para 39%.
O QUE É OSTEOPOROSE?
"A osteoporose é considerada uma condição em que existe uma alteração da densidade mineral óssea (diminuição da massa óssea) que leva ao aumento do risco de fraturas. Isso é traduzido em números pelo exame de densitometria óssea. Mais recentemente surgiu o conceito de qualidade óssea, que inclui alterações da macro e microarquitetura óssea", avisa Eduardo Meirelles, chefe do Grupo de Reumatologia do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Usp).
QUAIS OS TIPOS?
Pode ser primária (40% dos casos), desencadeada pela pósmenopausa (nas mulheres) ou andropausa (nos homens), pelo envelhecimento, deficiência crônica de cálcio e pela diminuição da formação óssea. Ou secundária (60% dos casos), desencadeada pelo consumo de álcool, drogas e corticóides ou por alterações endócrinas.
SINTOMAS?
A doença só começa a mostrar sinais em uma fase mais avançada, quando há perda de altura, de dois a três centímetros em um ano. Na faixa senil surgem dores provocadas por fraturas vertebrais, a mais prevalecente, dores agudas nas costas, e nos casos mais avançados a pessoa apresenta cifose, uma curvatura da coluna torácica.
Infelizmente os homens não estão atentos aos perigos. O aposentado Álvaro Maia, de 82 anos, é um exemplo clássico. Há cinco anos, por causa de um raio X de rotina, ele descobriu que tinha osteoporose. Apesar disso, nenhum tratamento específico foi receitado. "Não pratico esportes mas me alimento bem, priorizando alimentos com cálcio. Como os médicos não prescreveram procedimentos especiais, nada mudou em minha vida", afirma. Já Reginaldo Gomides, de 86 anos, descobriu que tinha a doença há um mês, depois de sofrer complicações no ombro e quadril. Ele já começou o tratamento no Hospital das Clínicas, em São Paulo. "A sensação é de que os ossos estão mais frágeis, por isso tenho cuidado com movimentos bruscos, já que é importante evitar a primeira fratura. Vou tomar remédios adequados, além de repor o cálcio", diz.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>