
Quando o assunto é obesidade ou alguns quilos fora do peso normal, um dos recursos mais divulgados (e utilizados) é o medicamento para emagrecer.
No Brasil, o consumo desses remédios levou o país ao primeiro lugar no ranking mundial, segundo relatório divulgado no início de março pela Comissão Internacional de Controle de Narcóticos (da sigla em inglês INCB), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o documento: "a disponibilidade muito fácil destes estimulantes induz ao abuso". São drogas que estão sendo exageradamente usadas como anoréticos, ou seja, medicamentos para perder peso.
Os estimulantes a que se refere a INCB são a anfepramona e o fenproporex, da família das anfetaminas. "Esses estimulantes do sistema nervoso central são usados inadequadamente para regimes de emagrecimento", alerta o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, presidente da Associação Brasileira Multidisciplinar para o Estudo de Drogas (ABRAMD).
Além de reduzirem o sono e a fadiga, os remédios acabam agindo no centro da saciedade, diminuindo o estímulo para a comida. O endocrinologista Daniel Lerario, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, acrescenta o mazindol, outro derivado da anfetamina disponível no país. O consumo aumentou muito a partir de 2000. Na década de 1990, consumíamos 7,4 doses diárias a cada mil habitantes, passando a 9,13 doses no período entre 2002 e 2004, conforme dados do relatório 2005 do INCB.
ALERTA: A COMPRA DESSES ESTIMULANTES DEVERÁ OCORRER MEDIANTE A APRESENTAÇÃO DE RECEITA AMARELA - CONTROLADA PELA ANVISA |
No documento agora divulgado, alcançamos 12,5 doses por mil habitantes, um recorde absoluto.
Segundo o farmacologista Elisaldo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), há um movimento mundial incentivado pela OMS com o objetivo de frear o uso das anfetaminas - recentemente, Portugal, por exemplo, proibiu a utilização da substância para qualquer finalidade de consumo.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) quer adotar ainda neste semestre a obrigatoriedade do receituário tipo A, de cor amarela, de controle maior por parte das autoridades.
Atualmente, é a receita de cor azul, que pode ser emitida por qualquer portador de um carimbo com número de CRM do médico. A notificação amarela, utilizada também para receituário dos derivados do ópio, é impressa nas gráficas oficiais, com numeração controlada e controle de distribuição da Anvisa.
"Desisti deles" |
| |
Passei a sofrer o efeito sanfona a partir da adolescência quando parei de praticar esportes. Desde então, comeceia usar medicamentos para emagrecer. Quem apela para essas drogas espera uma solução fácil, além disso há o estímulo de todos à volta que nos elogiam quando emagrecemos.
Em três ocasiões, o remédio foi prescrito por endocrinologista, mas em duas outras vezes eu acatei sugestões de amigos. Percebi logo que é um erro. O intestino, por exemplo, pode reagir muito mal a uma dessas formulações, como aconteceu em um dos casos. O medicamento causa uma série de alterações como a perda brusca da fome. Há ocasiões em que não quis comer nada e corri o risco de ter uma anemia ou outros males, causados pela falta de nutrientes.
Tenho 1,52 m e no ano passado cheguei a pesar 83 kg. Há três meses resolvi deixar de lado os medicamentos e investir em um programa de reeducação alimentar. Agora estou com 81 kg e minha meta é diminuir para 74 kg. É a primeira vez que consigo reduzir o peso sem recorrer aos medicamentos. Lá em casa, eu e meu marido passamos a controlar a quantidade de comida ingerida, até para colaborar com o futuro do nosso filho de 17 anos. Passamos a investir em saladas, trocar doces por frutas, evitar refrigerantes e limitar as porções de alimentos. Mas, para suspender os remédios, foi preciso controlar a compulsão por comida e tentar diminuir a obsessão pelo emagrecimento. Hoje sei que emagrecer é possível, sim, mas dentro de um processo que envolve alimentação correta e o controle da ansiedade.
Instrumentadora cirúrgica
Noemi Camargo D'Avila, de 45 anos |
 |
 |
|
|
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>