As pesquisas confirmam que os homens, muito mais do que as mulheres, recorrem à internet como instrumento de motivação e ’realização’ sexual. Em contrapartida, está também comprovado o crescente interesse feminino por essa alternativa de prazer, fato que faz proliferar um novo mercado, além de tornálo cada vez mais atraente, instigante e curioso.
Muito curioso, diga-se de passagem, em decorrência da ampla liberdade de expressão a que os adeptos se permitem, uma vez que estão protegidos do cara a cara e até mesmo — por que não admitir — do corpo a corpo. Sem dúvida, entre as vantagens do sexo virtual estão o anonimato, a ilimitada oferta de ‘encontros’, a comodidade do acesso, o baixo custo e a certeza de preservação do distanciamento físico, se essa for a idéia, é claro.
Exatamente: a falta de contato protege os tímidos, bem como os que têm a auto-imagem negativa. Mas também atrai os extrovertidos, bonitões e convencidos. Além disso, a fantasia corre solta: adiar ou impedir o momento da ‘revelação’ faz parte do jogo erótico, cujo estímulo é sem precedentes, já que a pessoa que tecla do outro lado é ao mesmo tempo íntima e desconhecida.
O sexo virtual prepara para o relacionamento real? Pode ser que sim, mas também pode evitar, substituir, viciar, levar à compulsão sexual, dependendo do perfil bio-psicológico e do contexto de vida de quem o pratica.
A dica é uma só para todos: é preciso conseguir encarar a realidade, para aproveitar o que de bom o mundo virtual pode oferecer.
Carmita Abdo
é psiquiatra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fundadora e coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Hospital das Clínicas |