Quando a aids entrou em cena, no início da década de 80, logo se tornou a mais perigosa e mortal doença infecto-contagiosa. Na época, acreditava-se que o vírus HIV se disseminava apenas pela relação sexual entre homossexuais e usuários de drogas injetáveis. E a aids passou a integrar o rol das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Hoje, os dados são assustadores: cerca de 40 milhões de pessoas estão infectadas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). E o grupo de risco não se restringe mais aos homossexuais, usuários de drogas injetáveis e receptores de sangue. Isto é, qualquer pessoa que não utilize o preservativo durante a relação sexual corre o perigo de se contaminar. Prova disso é o número crescente de mulheres casadas e monogâmicas que são HIV positivas.
Mas se as estatísticas cada vez incluem mais pessoas que se consideram fora de perigo, o que dizer das outras DSTs, que existem há séculos? A verdade é que nos dias atuais não se dá muita importância a elas. Dificilmente alguém hoje pensa em se proteger da sífilis e da gonorréia. Só que, acredite, as DSTs atingem mais de 340 milhões de pessoas em todo o mundo. A OMS aponta que enquanto o HIV contamina cerca de um milhão por ano, a sífilis ataca três milhões e meio; a gonorréia 25 milhões; o papilomavírus genital (HPV), 30 milhões e a clamídia 120 milhões. E o que é mais importante: ao contrário da aids, essas doenças podem ser curadas e totalmente controladas. Mas os números revelam: apesar de bem informadas, as pessoas, incluindo jovens, estão relaxando mais e mais, como se nunca pudessem ser a próxima vítima.
Aids
433 mil casos já foram identificados no país
DEFINIÇÃO
A sigla significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Síndrome é a associação de vários sintomas que permitem identificar uma doença. Imunodeficiência é o enfraquecimento importante do sistema imunológico. Adquirida porque foi contraída. É provocada pelo vírus HIV, um retrovírus que ataca o sistema imunológico.
FASES
Na primeira fase a pessoa é soropositiva, mas não apresenta sintomas. Na fase intermediária surgem gânglios inchados, diarréia, emagrecimento, tosse, dor muscular, febre e manchas na pele. Na mais grave, há as chamadas doenças oportunistas, como turbeculose e herpes, e infecções que minam o sistema imunológico. Sem o tratamento, 80% dos contaminados atingem a fase final da doença.
DIAGNÓSTICO
Dois exames de sangue confirmam a doença. A sorologia para anti-HIV e a contagem de células CD4. No primeiro, observa-se a presença de anticorpos contra o HIV. Se existirem, o corpo foi contaminado.
No segundo, contam-se as células CD4. Quando estão em número muito baixo, o quadro de aids é considerado grave. O resultado negativo até indica que a pessoa não está com anticorpos contra o vírus da AIDS detectáveis no exame. Se houver exposição ao risco para o vírus da AIDS, o teste anti-HIV deve ser repetido após 6 meses (evitando, é claro, expor-se aos riscos nesse período). Esse é o tempo que o organismo leva para produzir os anticorpos após a infecção. O resultado positivo indica que a pessoa está infectada pelo HIV e pode passálo para outras pessoas, mas não significa que tem aids.
COMO SE PEGA
É quando o HIV entra em contato direto com o sangue, esperma ou secreções vaginais.
Durante as relações sexuais ocorrem lesões microscópicas, por onde o vírus entra. O sexo anal é o mais arriscado, pois as mucosas do ânus e reto são muito frágeis. O sexo oral oferece risco se houver ejaculação na boca do parceiro ou a mulher estiver menstruada e o parceiro tiver alguma ferida na boca. O beijo na boca só oferece risco se houver sangramento de dentes ou gengivas.
Mas até hoje nenhum caso de transmissão por beijo foi cientificamente comprovado. Já agulhas, seringas e instrumentos cortantes, como os alicates de manicure precisam ser individuais ou bem esterilizados.
Uma única gota de sangue que entre pela pele é suficiente para provocar a aids.
COMO SE TRATA
A combinação de várias drogas é a opção mais eficaz para impedir as réplicas do HIV. A terapia com um único antiviral é recomendada até no máximo um ano. Depois, perde a eficácia. O AZT, o ddl e o ddc são os medicamentos mais usados e pesquisados também. A terapia combinada tem um objetivo claro: melhorar a eficácia global do tratamento em qualquer estágio da doença.
Alguns médicos recomendam o uso desses medicamentos também pelos soropositivos assintomáticos que apresentam queda nas defesas orgânicas. O coquetel não acaba aí, os especialistas receitam, paralelamente, substâncias como as que têm o papel de inibir uma enzima produzida pelo vírus e principal responsável pela sua multiplicação. Além disso, há outra arma poderosa: os imunomoduladores. Eles têm a função de reconstruir ou estimular o sistema de defesa do corpo.
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