Sintoma complexo
Acredita-se que, além de agüentar as dores, muitas pessoas precisem driblar
os gastos (que consomem de 10% a 20% do salário) com tratamentos, remédios
e até cirurgia. E, para piorar não param de surgir estudos anunciando
novos prejuízos. O mais recente foi publicado pelo The Journal of
Neuroscience, nos Estados Unidos, que sugere que os indivíduos acometidos
por esse mal correm o risco de sofrer uma redução de até 11% da massa
cerebral ou 1,3 centímetros cúbicos por ano - o equivalente à quantidade
perdida em 10 a 20 anos de envelhecimento normal. Segundo a pesquisa,
em situações crônicas o estado de percepção contínua da dor poderia causar
inflamação e atrofiar regiões cerebrais. "Músculos e movimentos são comandados
por locais específicos no cérebro. Se um deles deixa de funcionar para
se adaptar às novas condições físicas, o seu correspondente na massa cinzenta
também é afetado e sofre alterações", explica o neuropsiquiatra Cláudio
Guimarães (SP).
| Atividade
física, só de baixo impacto. o exercício sob medida melhora o fôlego,
desenvolve a consciência corporal e ajuda a corrigir a postura |
Uma questão de postura
Qualquer sinal de dor nas costas merece atenção. No entanto, os cuidados
devem ser redobrados em duas situações. Primeiro, se as dores vêm acompanhadas
do que os médicos chamam de sinais de alerta, como febre ou perda de peso.
Nestes casos, o desconforto indica a presença de algo mais grave - desde
mà-formação congênita, osteoporose e tumores até hérnia de disco, cálculos
renais e distúrbios neurológicos. Portanto, o tratamento varia de acordo
com a causa diagnosticada.
Outra situação preocupante - e bem mais comum - é quando não há uma
razão aparente para o incômodo. Trata- se da lombalgia mecânico-postural.
Os pacientes com este perfil (de 60% a 80% da população) tentam buscar
uma razão 'física' para suas lamentações e não encontram nada. Isso porque
as dores não estão relacionadas a desvios (hiperlordose, hipercifose e
escoliose) ou a algum tipo de lesão na coluna, mas a vícios de postura
que a deixam sobrecarregada constantemente. Aqui estão, por exemplo, o
motorista que dirige encostando apenas a parte superior da coluna no assento
do carro, a dona de casa que fica curvada para lavar a louça, o jovem
que senta de qualquer jeito para jogar videogame e até o profissional
que mantém o teclado do computador longe do alcance dos dedos. Para driblar
o incômodo, muitos recorrem a analgésicos, antiinflamatórios ou relaxantes
musculares. "Remédios resolvem temporariamente a crise. Se não houver
mudança de hábitos a dor volta, com o risco de se tornar crônica", alerta
a fisioterapeuta Anamaria Jones, da Companhia Paulista de Reabilitação.
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