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Edição 10 - Fevereiro/2005
 
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  Dor nas costas
Desde que o ser humano evoluiu e aventurou-se a caminhar de pé, a coluna vertebral não parou mais de sofrer. Hoje, médicos procuram conter essas dores que podem provocar desde incapacidade física até o encurtamento do cérebro

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS CHRISTIAN PARENTE

Sintoma complexo
Acredita-se que, além de agüentar as dores, muitas pessoas precisem driblar os gastos (que consomem de 10% a 20% do salário) com tratamentos, remédios e até cirurgia. E, para piorar não param de surgir estudos anunciando novos prejuízos. O mais recente foi publicado pelo The Journal of Neuroscience, nos Estados Unidos, que sugere que os indivíduos acometidos por esse mal correm o risco de sofrer uma redução de até 11% da massa cerebral ou 1,3 centímetros cúbicos por ano - o equivalente à quantidade perdida em 10 a 20 anos de envelhecimento normal. Segundo a pesquisa, em situações crônicas o estado de percepção contínua da dor poderia causar inflamação e atrofiar regiões cerebrais. "Músculos e movimentos são comandados por locais específicos no cérebro. Se um deles deixa de funcionar para se adaptar às novas condições físicas, o seu correspondente na massa cinzenta também é afetado e sofre alterações", explica o neuropsiquiatra Cláudio Guimarães (SP).

Atividade física, só de baixo impacto. o exercício sob medida melhora o fôlego, desenvolve a consciência corporal e ajuda a corrigir a postura

Uma questão de postura
Qualquer sinal de dor nas costas merece atenção. No entanto, os cuidados devem ser redobrados em duas situações. Primeiro, se as dores vêm acompanhadas do que os médicos chamam de sinais de alerta, como febre ou perda de peso. Nestes casos, o desconforto indica a presença de algo mais grave - desde mà-formação congênita, osteoporose e tumores até hérnia de disco, cálculos renais e distúrbios neurológicos. Portanto, o tratamento varia de acordo com a causa diagnosticada.

Outra situação preocupante - e bem mais comum - é quando não há uma razão aparente para o incômodo. Trata- se da lombalgia mecânico-postural. Os pacientes com este perfil (de 60% a 80% da população) tentam buscar uma razão 'física' para suas lamentações e não encontram nada. Isso porque as dores não estão relacionadas a desvios (hiperlordose, hipercifose e escoliose) ou a algum tipo de lesão na coluna, mas a vícios de postura que a deixam sobrecarregada constantemente. Aqui estão, por exemplo, o motorista que dirige encostando apenas a parte superior da coluna no assento do carro, a dona de casa que fica curvada para lavar a louça, o jovem que senta de qualquer jeito para jogar videogame e até o profissional que mantém o teclado do computador longe do alcance dos dedos. Para driblar o incômodo, muitos recorrem a analgésicos, antiinflamatórios ou relaxantes musculares. "Remédios resolvem temporariamente a crise. Se não houver mudança de hábitos a dor volta, com o risco de se tornar crônica", alerta a fisioterapeuta Anamaria Jones, da Companhia Paulista de Reabilitação.

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