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Edição 10 - Fevereiro/2005
 
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  Dor nas costas
Desde que o ser humano evoluiu e aventurou-se a caminhar de pé, a coluna vertebral não parou mais de sofrer. Hoje, médicos procuram conter essas dores que podem provocar desde incapacidade física até o encurtamento do cérebro

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS CHRISTIAN PARENTE

A evolução do ser humano, de quadrúpede para bípede - e toda a comodidade que a vida moderna lhe ofereceu - possibilitou que os músculos posteriores fossem mais estimulados do que os da região abdominal. "Assim, ao fortalecer o abdômen e alongar as costas, conseguimos ajudar fibras musculares e ligamentos a proteger as articulações das vértebras e a sustentar a coluna", explica Anamaria Jones. Seja qual for o procedimento de reabilitação utilizado (RPG, hidroterapia, alongamento, entre outros), reumatologistas, ortopedistas e fisioterapeutas concordam que os exercícios terapêuticos são muito eficazes para o tratamento das lombalgias mecânico- posturais crônicas.

Não é só. Um método ainda pouco conhecido no Brasil tem mostrado ótimos resultados, não apenas como saída para combater a dor nas costas, mas também para preveni-la. Por isso, especialistas acreditam que ele poderia ajudar a evitar cerca de 80% dos casos de dor nas costas.

Aprendendo a lição
Trata-se da Back School (ou Escola de Coluna), técnica de reeducação postural, baseada em aulas educativas teóricas sobre a coluna vertebral, exercícios terapêuticos e treino de relaxamento. "Criada por uma fisioterapeuta em 1969, no Hospital Danderyd, na Suécia, o objetivo é estimular o autoconhecimento dos pacientes para promover a mudança de atitudes e o controle da dor", define o fisioterapeuta Rogério Almeida, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), um dos precursores no uso da técnica no Brasil.

O conceito não é novo, porém, sua eficácia começou a ser comprovada mais recentemente. Uma pesquisa divulgada pela Unifesp em setembro de 2004 comparou dois grupos de portadores de lombalgias mecânico-posturais, com idades entre 18 e 65 anos - um freqüentou a Escola de Coluna uma vez por semana durante quatro meses, o outro não. Entre os que participaram das aulas, 40% diminuíram o uso de analgésicos e 80% abandonaram de vez os antiinflamatórios. Em relação ao quadro geral da saúde, 20% disseram ter melhorado a qualidade de vida contra apenas 6% dos que não adotaram o Back School. Os resultados só não foram melhores porque, de acordo com a reumatologista Luiza Helena Ribeiro, coordenadora do estudo, o Back School ainda não aborda o lado emocional que as dores crônicas envolvem.

O neuropsiquiatra Cláudio Guimarães (SP) está de acordo. Afinal, qualquer sensação física é traduzida no cérebro graças a um mecanismo complexo (veja infográfico ao lado). Todo fenômeno doloroso está associado a um certo tipo de afetividade. A reação física da dor gera por si só estresse, angústia e tristeza. Ao mesmo tempo, a tensão é capaz de alterar o tônus muscular. "O tálamo, região cerebral responsável por transmitir a intensidade de uma fisgada nas costas, por exemplo, também tem a função de gerar informações relativas à emoção. Resultado: o trajeto da dor está sujeito a uma série de interferências", revela o médico. Ou seja, se pisarem na sua unha encravada na hora em que você receber a notícia de que ganhou na Mega-Sena, a sua aflição parecerá menor e o seu grito soará menos estridente, entendeu?

A saúde mental tem uma influência importante na eficácia de um tratamento de lombalgia. Prova disso são os resultados de uma pesquisa britânica com pacientes portadores de dores crônicas do Hospital Geral North Manchester. Após dois meses de entrevistas sobre os anseios e preocupações desses doentes, os cientistas notaram que fatores como depressão, medo e insegurança foram mais decisivos no prolongamento dos sintomas do que qualquer incapacidade física.

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