A evolução do ser humano, de quadrúpede para bípede - e toda a comodidade
que a vida moderna lhe ofereceu - possibilitou que os músculos posteriores
fossem mais estimulados do que os da região abdominal. "Assim, ao fortalecer
o abdômen e alongar as costas, conseguimos ajudar fibras musculares e
ligamentos a proteger as articulações das vértebras e a sustentar a coluna",
explica Anamaria Jones. Seja qual for o procedimento de reabilitação utilizado
(RPG, hidroterapia, alongamento, entre outros), reumatologistas, ortopedistas
e fisioterapeutas concordam que os exercícios terapêuticos são muito eficazes
para o tratamento das lombalgias mecânico- posturais crônicas.
Não é só. Um método ainda pouco conhecido no Brasil tem mostrado ótimos
resultados, não apenas como saída para combater a dor nas costas, mas
também para preveni-la. Por isso, especialistas acreditam que ele poderia
ajudar a evitar cerca de 80% dos casos de dor nas costas.
Aprendendo a lição
Trata-se da Back School (ou Escola de Coluna), técnica de reeducação postural,
baseada em aulas educativas teóricas sobre a coluna vertebral, exercícios
terapêuticos e treino de relaxamento. "Criada por uma fisioterapeuta em
1969, no Hospital Danderyd, na Suécia, o objetivo é estimular o autoconhecimento
dos pacientes para promover a mudança de atitudes e o controle da dor",
define o fisioterapeuta Rogério Almeida, professor da Universidade Federal
da Paraíba (UFPB), um dos precursores no uso da técnica no Brasil.
O conceito não é novo, porém, sua eficácia começou a ser comprovada mais
recentemente. Uma pesquisa divulgada pela Unifesp em setembro de 2004
comparou dois grupos de portadores de lombalgias mecânico-posturais, com
idades entre 18 e 65 anos - um freqüentou a Escola de Coluna uma vez por
semana durante quatro meses, o outro não. Entre os que participaram das
aulas, 40% diminuíram o uso de analgésicos e 80% abandonaram de vez os
antiinflamatórios. Em relação ao quadro geral da saúde, 20% disseram ter
melhorado a qualidade de vida contra apenas 6% dos que não adotaram o
Back School. Os resultados só não foram melhores porque, de acordo com
a reumatologista Luiza Helena Ribeiro, coordenadora do estudo, o Back
School ainda não aborda o lado emocional que as dores crônicas envolvem.
O neuropsiquiatra Cláudio Guimarães (SP) está de acordo. Afinal, qualquer
sensação física é traduzida no cérebro graças a um mecanismo complexo
(veja infográfico ao lado). Todo fenômeno doloroso está associado a um
certo tipo de afetividade. A reação física da dor gera por si só estresse,
angústia e tristeza. Ao mesmo tempo, a tensão é capaz de alterar o tônus
muscular. "O tálamo, região cerebral responsável por transmitir a intensidade
de uma fisgada nas costas, por exemplo, também tem a função de gerar informações
relativas à emoção. Resultado: o trajeto da dor está sujeito a uma série
de interferências", revela o médico. Ou seja, se pisarem na sua unha encravada
na hora em que você receber a notícia de que ganhou na Mega-Sena, a sua
aflição parecerá menor e o seu grito soará menos estridente, entendeu?
A saúde mental tem uma influência importante na eficácia de um tratamento
de lombalgia. Prova disso são os resultados de uma pesquisa britânica
com pacientes portadores de dores crônicas do Hospital Geral North Manchester.
Após dois meses de entrevistas sobre os anseios e preocupações desses
doentes, os cientistas notaram que fatores como depressão, medo e insegurança
foram mais decisivos no prolongamento dos sintomas do que qualquer incapacidade
física.
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