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Edição 10 - Fevereiro/2005
 
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  Dor nas costas
Desde que o ser humano evoluiu e aventurou-se a caminhar de pé, a coluna vertebral não parou mais de sofrer. Hoje, médicos procuram conter essas dores que podem provocar desde incapacidade física até o encurtamento do cérebro

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS CHRISTIAN PARENTE

Não é à toa que a terapia comportamental- cognitiva, usada antes apenas para tratar depressão, agora também é adotada em casos de dores nas costas. Em 12 ou até 20 sessões, o psiquiatra ou psicólogo tenta eliminar os pensamentos negativos e modificar a interpretação que o paciente tem das suas aflições. Não que suas queixas sejam ilusórias. Ocorre que os circuitos cerebrais podem alimentar sensações exageradas, deixando a pessoa cada vez mais insegura e incapaz de dar a volta por cima. "A terapia parte do pressuposto de que a forma como a pessoa pensa influi muito em seu modo de agir ou sentir", explica Francisco Lotufo Neto, professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

O caminho da dor
Uma postura displicente ou estranha somada ao estresse e nervosismo é suficiente para desencadear o problema. Imediatamente há uma contração exagerada dos músculos. Estes, por sua vez, comprimem os nervos espinhais, que emitem um pedido de socorro ao cérebro.

O S.O.S. funciona assim: O estímulo doloroso é transformado em impulso elétrico e captado pelos nervos espinhais. Então, através da medula, o sinal chega até o tálamo, uma região cerebral que tem a função de filtrar e traduzir as sensações (físicas e emocionais) e de definir a intensidade da dor. Por fim, o cérebro se encarrega de oferecer ao corpo a percepção e consciência da dor.

Sinais de alerta

Em geral, as dores nas costas regridem espontaneamente, após seis semanas, sem a ajuda de remédios ou tratamentos. Há situações, no entanto, em que o desconforto indica algo mais sério. A consulta médica é urgente quando:
 A dor ultrapassa três meses.
 Provoca rigidez na coluna pela manhã.
 Começou depois de uma queda ou outro acidente grave.  Vem acompanhada por sintomas, como febre, calafrios ou suores noturnos.
 Acomete crianças, pacientes com anemia ou pessoas com histórico de câncer.
 Estimulou a perda de peso ou do controle de urina e fezes.
 Diminuiu a força muscular nos membros inferiores.

Back School, a Escola de Coluna
Histórico: O método foi desenvolvido na Suécia, em 1969, no Hospital de Danderyd, pela fisioterapeuta Marianne Zachirisson-Forssell. Na época, a idéia era de que os trabalhadores se autoajudassem, tomando cuidados com as costas a partir de aconselhamentos ergonômicos. Depois disso, foi rapidamente difundido nos países escandinavos, em outras regiões da Europa e, mais tarde, na América.
Objetivo: Estimular a mudança de postura e um maior controle da dor. O paciente aprende mais sobre o seu problema e assume a parcela de responsabilidade no tratamento. Quanto mais ele descobre sobre a razão de suas queixas, mais fácil fica entendê-las e superá-las.
Metodologia:
Cada Escola de Coluna adotou o seu próprio modelo de ensino. A maioria deles, no entanto, abrange um cronograma básico que inclui parte teórica - aulas sobre anatomia da coluna vertebral, tratamentos mais indicados, sinais de alerta, prevenção e orientações posturais básicas -, bem como parte prática - execução de exercícios de alongamento, fortalecimento abdominal e de relaxamento para os músculos dorsais.
Indicação:
Hoje é usado para tratar lombalgias mecânicoposturais crônicas. Mas os especialistas esperam que, em breve, seja adotado como forma de prevenção aos males nas costas.
Mais informações: Setor de Reumatologia da Unifesp, tel.: (11) 5576-4239 e Universidade Federal da Paraíba, tel. (83) 216-7183.

Assistente de foto: Diego Gaiotti. Produção: Patida Mauad. Assistente de produção: Odete Marietto. Modelo: Nashila Oliveira (agência Elite The Face). Beleza: Neto Cassab (agência Molinos & Trein). Arame farpado: Cirino & Samara Ilustrações: Marcelo Garcia


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