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Edição 109 | EXPEDIENTE
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  Acho que eu quero um peixinho!
Cada vez mais comuns nas casas dos brasileiros, peixes como bandeira, acará-disco, betta, tricogáster e o goldfish, também precisam de cuidados especiais

por Jéssie Panegassi
Fotos: Shutterstock

Eles são bonitos, coloridos, quietos, comem pouco e a sujeira que fazem fica contida em um único local. Esse parece o bicho de estimação ideal para muitos brasileiros, que os utilizam também de forma decorativa. Mas, se não tratados da forma correta, a sua vida pode ser encurtada drasticamente. A boa notícia é que os cuidados de espécie para espécie são basicamente os mesmos. "O que muda, principalmente, é a parte nutricional. Afinal, alguns se alimentam na superfície, outros no meio e no fundo do aquário", afirma Danyelli Ornelas, bióloga e gerente de produção da Megazoo. Logo, no caso de aquários comunitários, a ração deve ter flutuabilidade em níveis diferentes.

Fotos: Shutterstock

Alimentação
Os peixes podem ter hábitos alimentares mais carnívoros ou herbívoros, no quesito de proteínas. Mas "nenhum animal é completamente herbívoro ou carnívoro, e um pouco de ambas as proteínas é importante para a sua nutrição", explica a bióloga. Ainda, é importante atentar para as gorduras (ter entre 5% e 6% de extrato etéreo) e para o excesso de vitamina A, que também é tóxico para o peixe. Além disso, "eles enxergam muito bem as cores, mas não é bom que ingiram uma ração com corantes artificiais, pois mancham muito a água e podem gerar alergias", completa Danyelli. Também nunca deve sobrar ração no aquário. Quando isso acontece, é sinal de que o dono está oferecendo comida em excesso para o animal.

Fotos: Shutterstock

Aquário
O aquário deve ser montado de acordo com hábitos e tamanho dos peixes que viverão ali. No caso dos bettas, não há necessidade de um filtro, mas a água deve ser trocada por completo pelo menos uma vez por semana. "Se ela for trocada pela metade, uma hora ele vai acabar se intoxicando na amônia", informa a bióloga Danyelli. É importante também lavar todo o aquário, tratar a água com condicionador específico ou anticloro, e aguardar por aproximadamente uma hora antes de movê-lo de volta - para que ela fique em temperatura ambiente.

Já nos grandes aquários, é indispensável o uso de filtros, aquecedores, e até mesmo luz artificial de acordo com as espécies e tamanho do recipiente. Nesses casos, não se deve retirar a água por completo. Se for trocá-la toda a semana, deve se remover 1/4 do total e repor com a água tratada. Se preferir fazer esse processo a cada 15 dias, metade do líquido deve ser trocado.

A falta de luz diminui a resistência dos peixes pela queda de oxigênio da água, e é considerada um dos fatores essenciais para o aparecimento da popular doença dos pontos brancos, ou Ictio. A enfermidade é causada por um parasita e, "além de ser a mais comum, é também a mais perigosa, pois pode matar todos os peixes rapidamente por anemia ou asfixia - quando se instala nas guelras", afirma Vanessa Lopes, médica veterinária e responsável técnica do laboratório Mundo Animal (SP). Outros fatores para o seu aparecimento são mudanças bruscas de temperatura e o estresse no transporte desses animais.

Amor dentro d'água
Falando em reprodução dos peixes, os bettas dão um show no quesito cuidado com os filhotes. O macho prepara várias bolhas, que sobem à superfície. Depois, ele abraça a fêmea, que libera os ovos. O macho os fecunda, e ela tem uma espécie de desmaio rápido. Nesse momento, ele, imediatamente, posiciona os ovos dentro das bolhas. Quando a futura mamãe "acorda", tenta comer os ovos de que o macho está cuidando, e ele pode atacá-la. "Quando isso acontecer, é bom retirar a fêmea do aquário", recomenda a bióloga Danyelli. E o "papai" vai acabar de cuidar dos filhotes.

Por quanto tempo eles vivem?
Tipo, qualidade da alimentação e a água utilizada no aquário determinam quanto tempo cada peixe poderá viver

Peixe   Idade aproximada
Betta   2 a 3 anos
Guppy ou Lebiste   2 a 4 anos
Espada   3 a 5 anos
Tetra   4 a 5 anos
Tricogáster   4 a 6 anos
Barbo sumatrano   4 a 7 anos
Colisa   8 a 10 anos
Acará-bandeira   10 a 12 anos
Cascudo bola de neve   10 a 15 anos
Acará-disco   10 a 18 anos
Peixe japonês / kinguio   10 a 30 anos
Botia palhaço   20 a 30 anos

 

Fotos: Shutterstock

Conheça os mitos e verdades sobre os peixes

Os peixes nunca dormem
Verdade. Embora não durmam, esses pets aquáticos entram em um período chamado estado de vigília ou repouso. Nesse momento, ficam num aparente estado de imobilidade, e mantém o equilíbrio por meio de movimentos lentos. Alguns peixes também podem se acomodar ou "deitar" no fundo do aquário.
Apresentam baixo custo para mantê-los

Depende. Existem espécies com baixíssimos custos para supri-las. Mas há outras que chegam a requerer um verdadeiro tesouro, ainda mais se viverem em água salgada. Também o custo inicial para ter um peixe em casa é maior do que a sua manutenção.
Eles dão menos trabalho do que outros animais

Mito. Os animais aquáticos não demandam que o dono brinque com ele ou o leve para passear. Mas seus cuidados especiais dizem respeito ao lugar onde viverão: o aquário deve estar sempre limpo, ter a temperatura da água adequada para cada espécie, além da alimentação correta.
Peixes nunca visitam o veterinário

Mito. Hoje, na medicina veterinária, há grandes especialistas no tratamento de peixes.
Eles nunca fecham os olhos

Verdade. Os peixes não possuem pálpebras, e nunca fecham os olhos. Essa é uma das razões pelas quais seus períodos de descanso diferem do sono dos humanos.

Consultoria: Danyelli Ornelas, bióloga da Megazoo; vanessa lopes, médica veterinária do mundo animal; Renato Leite Leonardo, veterinário da doctor Fish. Arte e infográfico: Amanda Matsuda

 





 
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