Por que crescer dói? Dor de crescimento existe, não é doença, mas pode ser atenuada. Entenda por que ela ocorre, como os fatores emocionais podem influenciá-la e como afastar as possíveis complicações desse sintoma
por Fernanda de Almeida ilustração Amanda Matsuda
Doenças mascaradas
Para que os pediatras possam afirmar que se trata da dor de crescimento, devem excluir todas as possibilidades de outras patologias. Ou seja, quando os exames não detectam qualquer tipo de anormalidade, por exclusão, conclui-se que a criança tem dor de crescimento. "Para isso, a anamnese (história do paciente) e o exame físico são fundamentais e insubstituíveis, podendo ser complementados inicialmente por exames laboratoriais de sangue, de urina e radiológicos de acordo com cada caso", explica Len. Por isso, já no momento das primeiras queixas, o ideal é levar o filho a um médico.
Quando não há acompanhamento médico, a dor de crescimento pode ser facilmente confundida com doenças estruturais (ortopédicas), inflamatórias (reumatológicas) e neurológicas (fibromialgia e enxaqueca).
Lafayette de Azevedo Lage, especialista em medicina esportiva, explica que meninos entre 4 e 8 anos podem começar a mancar de repente. O sintoma pode facilmente ser confundido com dor de crescimento ou sinovite transitória (dor no quadril), que acometem pré-adolescentes e adolescentes. "Um diagnóstico mais aprofundado poderá identificar se a criança tem uma artrite reumatoide juvenil ou ainda uma necrose asséptica na cabeça do fêmur, conhecida por doença de Legg-Perthes", conta.
Queixas futuras
Segundo Couto, é comum que pessoas que tiveram dor de crescimento na tenra idade desenvolvam algum problema estomacal ou de enxaqueca na fase adulta. "Dor abdominal, vômitos cíclicos da infância e dores em membros inferiores, podem anteceder ou coexistir, com as crises de dor de cabeça", diz. Neurologista da psicóloga Lívia, Couto afirma que, graças ao acompanhamento médico, ela está tratando a enxaqueca que já dava os primeiros sinais na infância.
COMO ATENUAR A DOR
Infelizmente não é possível prevenir a dor de crescimento, mas os especialistas dão dicas para atenuála:
● Exercícios físicos e aquáticos, ajudam bastante. "Devese evitar os exaustivos ou de grande impacto. Atividades prazerosas, exceto passar horas no computador ou videogame, também ajudam bastante", afirma Couto.
● A reumatologista Margarida comenta que geralmente a dor de crescimento vem durante a noite e no começo da semana. "Quando vai chegando o final de semana e a criança sabe que terá mais tempo para brincar, a tendência é que ela não reclame da dor. Além disso, mesmo que a criança reclame muito de dor durante a noite, o mais comum é que no dia seguinte ela acorde muito bem e disposta. Por isso, muitos pais acham que a reclamação é somente para chamar a atenção, mas essa não é a postura ideal que eles devem ter. O filho precisa se sentir valorizado e saber que suas queixas são ouvidas pelos pais", orienta.
● Alongamentos de membros inferiores antes da criança ir para a cama, ajudam bastante. Fazer massagem nos locais da dor também pode ajudar a aliviar o mal-estar. "Na hora da crise, o carinho dos pais leva à calma e pode ser um remédio muito eficaz", diz o pediatra Resbscheid.
● Para o especialista Lage, se for dor de crescimento realmente, os pais devem explicar para a criança que ela vai passar quanto menos se falar dela. "A lembrança da dor é o alimento da dor; se explicarmos com jeito, a criança compreenderá, suportará e, muitas vezes, vencerá mais um desafio, ou seja, ignorará essa dor chata", afirma.
● Já o reumatologista Len, alerta para o perigo do uso exagerado de analgésicos. "Atenção com esses excessos podem gerar complicações estomacais, como gastrite, e também o mal funcionamento dos rins."
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