Infertilidade: a culpa pode ser deles Cerca de 40% dos fatores capazes de impedir uma gestação estão relacionados a problemas que atingem o sexo masculino. Especialistas revelam o que pode deixar os homens estéreis
POR ADRIANO CATOZZI FOTO FERNANDO
MASCULINIDADE
É ATINGIDA |
 |
 |
|
| A notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem
por homens, nem por mulheres. Mas o sexo masculino parece ter
mais dificuldades para aceitar o diagnóstico. "Acho que isso
se deve ao fato de eles associarem, equivocadamente, a infertilidade
com impotência", acredita o ginecologista Dirceu Mendes Pereira.
Alguns pacientes passam por um período de baixa auto-estima,
sentindo-se "menos homens" e até começam a apresentar problemas
de disfunção sexual. "A verdade é que o homem se acha incompleto.
Estou casado há quase 10 anos e desde o primeiro ano minha mulher
quer engravidar. A gente quase se separou por causa disso, duas
vezes", revela o microempresário Marcelo Loureiro Moulin, do
Espírito Santo, que se tornou estéril após o tratamento de um
câncer linfático. O analista de Recursos Humanos de São Paulo,
Marcos Buzzo, de 40 anos, que convive com o diagnóstico de azoospermia
(ausência de espermatozóide) desde os 28 anos, concorda que
a situação é difícil. Na época, ele já era casado há cinco anos
e achou injusto o fato de sua esposa não poder engravidar por
sua causa. "Sugeri a doação de esperma, mas ela não aceitou.
Só depois de cinco anos, sem tocar no assunto, resolvemos adotar
o Gabriel, que hoje tem oito", conta. Marcos não está mais casado
com a mãe adotiva de Gabriel, mas em relação à paternidade se
sente realizado. "Aceitei o que Deus me reservou. Hoje, não
tenho a mínima dúvida de que sou um pai completo, como se eu
tivesse ajudado a gerar um filho naturalmente", comemora. |
|
  |
 |
|
 |
Milagres da ciência
Quando há baixa ou nenhuma concentração de espermatozóides, as causas
genéticas para a esterilidade costumam ser mais freqüentes. "Neste caso,
não há tratamento específico para o problema, porém, se o casal pretende
engravidar, ainda existe a possibilidade de se recorrer à ajuda da ciência",
aconselha o urologista Marcelo Vieira (SP), citando o exemplo da agenesia
congênita bilateral dos vasos deferentes, um distúrbio determinado por
uma mutação no gene causador da fibrose cística pulmonar e que implica
na azoospermia (ou seja na ausência total de espermatozóides).
Então, entram em cena as técnicas de reprodução assistida. Atualmente,
há métodos de recuperação de espermatozóides nos testículos que podem
reverter até quadros mais graves de infertilidade. "Quando o problema
não é a produção mas sim a obstrução da saída dos espermatozóides, então
resgatamos os espermatozóides no epidídimo (canal que fica junto aos testículos),
por aspiração com agulha fina através da pele", explica o urologista Marcelo
Vieira, de São Paulo.
Nos casos de azoospermia nãoobstrutiva (falhas na produção), os médicos
recuperam os espermatozóides diretamente no testículo por aspiração com
agulha grossa ou por meio da retirada de pequenos fragmentos através de
biópsia com mapeamento testicular. "Retiramos fragmentos de diversas áreas
do testículo para identificar os locais de possível produção", explica
o médico Vieira. "Somente em situações em que o paciente não tem mesmo
espermatozóides 'armazenados' no testículo, o casal deveria passar a considerar
a possibilidade de se recorrer à uma doação", sugere o ginecologista Dirceu
Mendes.

PRODUÇÃO: LUANA PRADE. PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3
|
 |



 |
As novidades da Viva Saúde em primeira mão!
|
|
|