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Edição 105 | EXPEDIENTE
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Testosterona na medida
  Especialistas revelam quando repor a testosterona
A queda hormonal também é um problema masculino, conhecido como andropausa, e que pode causar desde ganho de peso até disfunção erétil e depressão após os 40 anos. Repor o hormônio masculino é a solução para alguns casos

POR ADRIANO CATOZZI

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENS

Os calores e as alterações hormonais na mulher madura são amplamente discutidos e abordados - todo mundo conhece. Mas, do equivalente masculino, chamado popularmente de andropausa, pouco se ouve falar. E isso é também culpa do próprio homem, que muitas vezes guarda para si os sintomas, em vez de buscar ajuda médica. A verdade é que o Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) ou Hipogonadismo Masculino Tardio (estes, sim, os nomes corretos dessa diminuição dos níveis do hormônio masculino - a testosterona - que ocorre nesta fase) guarda semelhanças, mas também muitas diferenças em relação à menopausa. E o mais importante: é facilmente passível de tratamento e solução. Basta que os'machões' criem coragem para procurar ajuda especializada.

Por se tratar de um distúrbio hormonal, é natural que os homens recorram a um endocrinologista. Mas, como eles só começam a se preocupar quando o problema começa a atingir a esfera sexual (principalmente baixa da libido e dificuldades de ereção, diminuindo seu desempenho sexual), é mais comum que acabem procurando pelo urologista, o que também não é errado.

"Este tipo de manifestação gera no paciente uma preocupação maior do que com outras reações. E, como a masculinidade sempre esteve ligada ao perfeito desempenho sexual, essas alterações podem desencadear processos psicológicos de perda da autoestima até quadros depressivos", revela o urologista Geraldo Garcia, presidente do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia.

O fato é que vários outros sintomas estão diretamente relacionados à queda de testosterona no organismo e não devem ser desprezados: redução da massa muscular, aumento do percentual de gordura corporal (principalmente a abdominal), diminuição da força física e maior risco de osteoporose, para citar alguns aspectos físicos; e depressão, irritabilidade, cansaço, desânimo, distúrbios do sono e até comprometimento da memória e raciocínio, entre os comportamentais.

"Esse quadro predispõe ao desenvolvimento da síndrome metabólica, um conjunto de fatores de risco para as doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial e aumento do colesterol", adverte a médica endocrinologista Ruth Clapauch, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Uma prevalência que, nos Estados Unidos, atinge até 44% dos homens entre 60 e 69 anos. Segundo a médica, quem apresenta a síndrome metabólica tem, por exemplo, um risco cinco vezes maior de desenvolver diabetes em relação a quem não tem.

Reposição hormonal e câncer

Os efeitos da reposição de testosterona sobre a próstata mereceram a atenção dos pesquisadores, por um temor da população de que pudesse propiciar o aparecimento de câncer. Temor injustificado, segundo Ernani Rhoden, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Porto Alegre e autor de um trabalho sobre o assunto publicado no New England Journal of Medicine. "É improvável que a testosterona, por si só, esteja relacionada a maior incidência de câncer de próstata", afirma o urologista. De fato, a literatura científica atual mostra isso. O artigo do professor Ernani comparou 25 estudos desenvolvidos por várias universidades internacionais sobre a relação entre os níveis de testosterona e o câncer de próstata, representando um universo de mais de dois mil homens. A conclusão foi de que não houve maior incidência da doença nos pacientes tratados com o hormônio, se comparados àqueles que não se trataram. Apenas 1% daqueles submetidos à reposição desenvolveu a doença, cujo índice é muito semelhante ao encontrado na população masculina em geral.

A Sociedade Brasileira de Urologia estima que de 10% a 20% dos homens com mais de 50 anos apresentem queda da produção de testosterona, sendo que a diminuição média do hormônio seja de 1% ao ano, a partir dos 30 anos de idade. Assim, um em cada oito homens na faixa dos 50 anos - e um terço daqueles com mais de 60 - apresentam níveis baixos de testosterona no sangue. Não há dados oficiais de sua incidência no Brasil, mas nos Estados Unidos essa condição atinge de dois a quatro milhões de homens, números que devem aumentar com o envelhecimento da população.

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