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Edição 109 | EXPEDIENTE
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Miomas no alvo
  As técnicas menos invasivas e que preservam o útero
Conheça as novas técnicas cirúrgicas que são capazes de atingir em cheio esses tumores benignos, preservando ao máximo o útero da paciente

POR STELLA GALVÃO
ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

Identificado ou não o mioma pelo toque, o médico solicita exames de imagem para confirmação diagnóstica. A maioria dos casos é confirmada por meio do ultra-som abdominal. Se ainda houver dúvidas, a paciente pode ser submetida à ressonância magnética, especialmente no caso de mulheres jovens e sem filhos, em que há maior necessidade de um tratamento conservador para poupar o útero.

De acordo com o médico Abner Lobão, é comum os miomas serem identificados por acaso, durante um ultrasom de rotina em mulheres acima dos 40 anos. Neste caso, a opção dos ginecologistas é investir em um acompanhamento mais constante por meio de exames que detectem o crescimento ou surgimento de novos miomas.

Tratamentos menos invasivos

Em mulheres próximas da menopausa, com sintomas provocados pelo mioma, costuma ser adotado o tratamento medicamentoso. São usados os análogos do GnRH, que levam a paciente a uma menopausa transitória - provocada quimicamente. A substância, capaz de reduzir o tamanho do tumor, é utilizada também antes das cirurgias. "O análogo do GnRH facilita o procedimento cirúrgico necessário para a retirada dos miomas em situações difíceis, em que a mulher está na idade fértil e deseja um tratamento conservador para engravidar posteriormente ou apresenta dores pélvicas e anemia provocada por sangramento excessivo", explica o professor Nilo Bozzini, da Faculdade de Medicina da USP. Este tipo de tratamento é provisório porque, quando cessa, os miomas voltam a crescer de três a quatro vezes mais depressa do que vinham crescendo antes da indução da menopausa. "A recidiva depende da sensibilidade ao estrogênio e da idade da mulher, mas ocorre em cerca de 30% dos casos", confirma Abner Lobão Neto, da Unifesp.

VIA CIRÚRGICA

Há pelo menos três opções:

1. Miomectomia abdominal convencional. Utilizada para eliminar miomas de todos os tamanhos e localizações, a técnica conserva o útero, ao retirar apenas os nódulos. Segundo o médico Nilo Bozzini, da USP, os resultados de estudos mundiais demonstram uma melhoria em torno de 40% no índice de gravidez após essa intervenção cirúrgica.

2. Histeroscopia. É a melhor técnica para o tratamento de miomas submucosos (aqueles localizados na camada interna do útero). Consiste na introdução de uma câmara de vídeo por via vaginal, com a paciente anestesiada, para visualização da cavidade uterina e retirada dos miomas. Nos casos em que o nódulo está na parede do útero (mioma intramural), há necessidade de uso prévio do análogo do GnRH, droga para a redução do mioma e facilitação da sua retirada.

3. Laparoscopia cirúrgica. Corresponde à técnica mais indicada para retirar miomas subserosos (situados na camada externa do útero). Após anestesia geral, uma câmera de vídeo é introduzida através de pequena incisão de aproximadamente um centímetro feita na região do umbigo e outras duas nas regiões inguinais. O limite dessa via de acesso está atrelado ao número, tamanho e localização dos miomas e depende também da experiência do cirurgião nesse tipo de procedimento.

FONTE: WWW.DOUTORMIOMA.COM.BR

Com a contadora Sônia Santos, de 53 anos, os miomas foram achados ocasionalmente em exame de ultrasom transvaginal. Ela estava na época com 40 anos e inicialmente a médica recomendou apenas um acompanhamento semestral por exames. A idéia era aguardar a menstruação e, portanto, a regressão dos tumores. Mas, no meio do caminho, o clínico-geral interveio porque Sônia passou a ter anemia causada pelo excesso de fluxo menstrual. A opção do ginecologista foi pela histerectomia total, com preservação dos ovários. "Deveria ter consultado outros médicos e optado por tratamento menos invasivo", lamenta.

Eliminar a nutrição dos miomas para facilitar sua regressão está na base de um dos procedimentos de última geração, a embolização arterial, indicada para os miomas intramurais, de maior tamanho. O ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto explica o procedimento: "é introduzido um cateter pela artéria femural, que alcança um vaso menor que nutre o útero de sangue, pelo qual é injetado partículas de um material plástico capaz de interromper o fluxo sangüíneo. Sem nutrição, o mioma tende a diminuir de tamanho".

O tratamento do mioma é determinado pelo médico de acordo com os achados diagnósticos, entre eles o tamanho do mioma, a quantidade, a sua localização no útero, a idade da paciente, os seus planos em relação à maternidade, entre outros aspectos. Mas o objetivo deve ser sempre a busca pela intervenção menos invasiva e com menos efeitos colaterais. Retirar o útero, que já foi uma conduta única e banal para extirpar miomas, continua sendo o procedimento mais indicado em certos casos. "Porém, a prioridade deve ser sempre pela preservação da cavidade uterina, até porque as mulheres estão gerando filhos cada vez mais tarde", observa Abner Lobão.

 

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