FAMÍLIA
O que passa pela cabeça dos homens Nem sempre uma careca é vista como charme... Para aqueles que não suportam a idéia da calvície, hoje já existem avançadas técnicas de transplante capilar, com resultados bastante naturais
POR ADRIANO CATOZZI FOTO FERNANDO GARDINALI
Um transplante capilar bem executado é um minucioso trabalho artesanal. São retiradas da região doadora unidades foliculares - três fios de cabelo, no máximo, por unidade folicular - para que se restaure a área calva, com o objetivo de se chegar o mais próximo da naturalidade. Para que isso ocorra, são necessários inúmeros cuidados do cirurgião e até uma série de cálculos, uma vez que o ideal é utilizar apenas metade da área doadora.
| ENTENDA A CALVÍCIE |
| A calvície tem origem genética e não deve ser confundida com uma simples queda de cabelo. Existem fios com e fios sem predisposição para o problema. Os saudáveis caem grossos quando completam seu ciclo de vida e são imediatamente repostos por outros da mesma espessura. Aqueles que carregam o código genético da calvície, no entanto, se atrofiam e sofrem um processo gradativo e progressivo de miniaturização, sem reposição dos fios perdidos. Isso ocorre porque suas raízes são receptoras do hormônio dihidrotestosterona (DHT), que desencadeia o processo.Estima-se que de 60% a 70% dos homens irão apresentar algum grau de calvície durante a vida. Embora seja mais raro, o fenômeno também pode ocorrer em mulheres - aliás, tem crescido o número das pacientes que recorrem ao transplante capilar, principalmente para corrigir alterações deixadas por cirurgias plásticas de rejuvenescimento. |
Na prática, a cirurgia se inicia com a retirada de um fragmento do couro cabeludo da área doadora. O tamanho dependerá da quantidade de fios necessários ao transplante e da elasticidade dessa região. Em seguida, é feita a sutura da área doadora, de forma a obter uma cicatriz fina e de boa qualidade, ou seja, praticamente imperceptível. Começa, então, o preparo das unidades foliculares de acordo com a quantidade necessária e a disposição do couro cabeludo original. Depois, são feitos os orifícios para os microtransplantes, que, por sua vez, serão realizados com a ajuda de uma agulha fina ou de uma microlâmina de bisturi. Finalmente, acontece a colocação das unidades foliculares. "Elas devem ser transplantadas de forma que a disposição tenha como resultado um aspecto natural e que atinja as perspectivas do paciente, seja no volume, na densidade ou no tamanho da área a ser preenchida", explica Sérgio Aluani.
O CRESCIMENTO DOS CABELOS SE DÁ DE FORMA GRADUAL E O RESULTADO FINAL PODE SER CONFERIDO CERCA DE SETE MESES APÓS A CIRURGIA
Linha de frente
"Quanto mais perto um microtransplante do outro, melhor. Outro cuidado que o especialista deve ter é com a restauração da linha de frente do cabelo. Recomenda-se preservar as entradas e transplantar apenas um fio por vez, para que se tenha um visual mais próximo do original", diz o médico.
O transplante capilar é considerado um procedimento de baixo risco, mas por ser feito com anestesia local e mais sedação endovenosa requer exames pré-operatórios usuais.
A alta costuma ocorrer no mesmo dia, com um curativo compressivo que será removido no dia seguinte, no consultório. Após retirado o curativo, deve- se usar xampu neutro nos primeiros 10 dias (uma ou duas vezes ao dia) e, depois, com xampu manipulado com minoxidil por mais três meses. A lavagem e a secagem dos fios devem ser delicadas, sem forçar a retirada das crostas que se formam. O mesmo vale para o ato de pentear.
Três dias após a realização do transplante, já é possível retomar as atividades diárias, com alguns cuidados. É comum alguns fios caírem nos primeiros 30 ou 60 dias devido ao trauma cirúrgico. Mas eles deixarão as raízes, que crescerão junto com os transplantes por volta do terceiro mês. O crescimento dos cabelos é gradual e o resultado final se dá por volta de sete a oito meses após a cirurgia.
| REPOSIÇÃO É PARCIAL |
| Matematicamente, em determinados graus de calvície é impossível restaurar todo o cabelo perdido. "Em uma calvície ampla, com 75% da área calva, a área doadora chegará a, no máximo, 12,5%", explica o cirurgião plástico Sérgio Aluani. É ele quem faz os cálculos. "O couro cabeludo tem aproximadamente 500 cm2, ou 50 mil mm2. Sabendo que uma pessoa não-calva possui uma unidade folicular por milímetro quadrado e em média cada unidade folicular tem dois fios de cabelo, um couro cabeludo normal possui, então, cerca de 100 mil fios de cabelos, no total". Ele continua: "A área doadora representa aproximadamente 25% da área total, sendo que em teoria pode-se usar apenas metade desta área para o transplante. Isso significa 12,5% da área total, o que dá, mais ou menos, 12.500 fios de cabelo. Isso corresponde a 6.250 unidades foliculares com dois fios cada". Assim, a avaliação de cada caso deve ser feita discutindo-se com o paciente se o resultado que ele deseja está dentro das possibilidades que as técnicas podem oferecer - e não venham causar decepção. |
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