Preguiça, não! medo Boa parte das pessoas que vive adiando a matrícula na
academia de ginástica tem fobia do universo fitness.
Elas preferem continuar sedentárias e gordinhas a enfrentar colegas sarados, olhares de reprovação e piadinhas
POR STELLA GALVÃO
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| QUEM SE SENTE À VONTADE E RESPEITA SEUS PRÓPRIOS LIMITES ENFRENTA QUALQUER TREINO OU EXERCÍCIO |
PARA MALHAR SEM RECEIO
• ALEXANDRE MENEGAZ (MOVIMENTO DO CORPO): 11 9390-0156, SP
• PRATO: 11 3069-6974, SP
• MPR ASSESSORIA ESPORTIVA: 11 3841-3646, SP
• ESTAÇÃO FITNESS: 11 3168-4238, SP
Existem muito mais questões que afastam as pessoas das academias e, muitas vezes, de qualquer atividade física. “Há pessoas que não gostam de suar em ambiente com espelhos, ar condicionado e que preferem se exercitar usando roupas mais confortáveis”, exemplifica o personal trainer. É o caso de mulheres que adorariam usar um camisetão na hora de fazer ginástica, seja porque se sentem mais à vontade ou porque suas medidas não cabem nos conjuntos de tops com calças justas, que marcam o corpo e o expõem à avaliação do grupo.
Para o psiquiatra Arthur Kaufman, coordenador do PRATO, os motivos alegados são de várias naturezas. Há aquelas pessoas que têm fobia social e, portanto, fogem de qualquer lugar com aglomerações e não apenas das academias. Outros têm vergonha de se expor com pouca roupa. “Este caso já denota problemas com a auto-imagem”, alerta. A maioria, segundo ele, não gosta de fazer ginástica. Neste grupo incluem-se aqueles traumatizados por má experiência na infância e adolescência durante as aulas de ginástica. O próprio Kaufman confidencia que pre cisou superar a resistência que criou à malhação na época da escola, quando enfrentou exercícios baseados na repetição e um professor de educação física que insistia em uma modalidade de esporte que não lhe agradava. “Em decorrência de experiências como essas, muitos associam a ginástica a uma coisa chata”, acredita o médico. Para piorar e afastar ainda mais as pessoas das atividades físicas, há ainda a excessiva jornada de trabalho que deixa qualquer um exausto ao final do dia e sem forças para caprichar nas manobras e movimentos ensinados nas aulas.
Vencendo a resistência
“É preciso convencer as pessoas de que a atividade física é extremamente prazerosa e só resulta em benefícios à saúde, deixando de lado esse vínculo estético exagerado que se difunde nos outdoors e espaços publicitários”, defende o professor Alexandre Menegaz, do Projeto de Atendimento ao Obeso (PRATO). Com essa preocupação, a equipe de Alexandre tenta atrair os pacientes com excesso de peso que procuram o serviço do PRATO a aderir aos exercícios de modo contínuo, incluindo-os em sua rotina. Foi assim que Alexandre tentou ajudar a secretária Carolina a superar a resistência que ela tinha de se exercitar na frente dos outros.
Na prática, o medo das chacotas e piadinhas associadas aos ambientes em que circula gente ‘sarada’ é trabalhado pelo professor por meio de uma atenção personalizada. “O pro fissional, primeiro, precisa ter conhecimento da vida daquela pessoa, verificar como as experiências do passado interferem nos dias de hoje.”
Ao assumir a função de coordenador de Educação Física do PRATO, Menegaz especializou-se em psicodrama para entender os efeitos da psiquê sobre a linguagem corporal.
Aprendeu, por exemplo, que não basta mandar o aluno fazer esta ou aquela seqüência de exercícios, mas também explicar seus efeitos, orientá- lo a movimentar-se sem erros para não correr o risco de lesões. “Gosta mais da atividade física quem passa a conhecer melhor o seu corpo, seus limites e potenciais”, garante.
Alexandre Menegaz investiu no filão de personal trainer em 1994, quando ainda pouco se falava de atenção individualizada ao aluno. De olho no mercado potencial de órfãos de academia, o professor montou um espaço que batizou de “Movimento do Corpo”. Lá, ele orienta alunos a partir da metodologia aplicada aos pacientes do HC, uma ginástica consciente voltada mais aos efeitos sobre o organismo do que à ânsia estética por medidas corporais longilíneas.
Algumas academias, como a Curves e a Contours Express, também op ta - ram por não colocar espelhos nas salas de ginástica. Já na Estação Fitness, academia montada há três anos em São Paulo, o professor de Educação Física José Carlos Altieri segue o mandamento do ‘olho no cliente’. “Circulo na academia, ouço as reivindicações dos alunos e procuro atendê-las.” A clientela crescente inclui obesos, pessoas com sobrepeso e malhadores na terceira idade, que vão ganhar um programa especial este ano. Altieri, que é personal trainer da apresentadora Adriane Galisteu e colunista da Viva Saúde, revela o modus operandi da escola de perfil alternativo. “O aluno quer sentir-se à vontade e encontrar algo que atenda diretamente as necessidades dele.”
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