Sinal verde para o idoso Com algumas precauções simples, como exames médicos, redução da velocidade e até a compra de um carro com direção hidráulica, é possível dirigir com segurança por muitos anos. Esse direito, aliás, é garantido por lei
POR FRANÇOISE TERZIAN
Não é possível colocar um freio no envelhecimento, assim como também não dá para tirar as chaves do carro das mãos do avô, da avó ou de qualquer outro idoso da família e impedi-los de dirigir. Respeitar seus direitos de ir e vir e permitir que ele conduza um veículo — e a própria vida — é algo que a família precisa apoiar, mesmo com o avançar da idade e, conseqüentemente, das limitações. Assegurar o trânsito livre ao motorista que já passou dos 60 anos, mas ainda se sente disposto e com saúde, é uma forma de ajudá-lo a manter sua independência e a elevar sua auto-estima. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), cerca de 12% da população idosa de países do Primeiro Mundo dirige. No Brasil, acredita-se que o índice de motorização seja ainda maior.
• Antes de colocar a chave na ignição, preste atenção também ao modelo de carro a ser adquirido. Com movimentos muitas vezes mais lentos, os idosos encontram facilidades ao dirigir um veículo com direção hidráulica
• Para quem tem dificuldades de enxergar, o ideal é adaptar um espelhinho redondo de amplificação periférica da visão no espelho retrovisor direito
• EM CASOS DE VIAGENS, A DICA É SE PROGRAMAR ANTES PARA PARAR A CADA 40 OU 50 MINUTOS EM UM POSTO DE GASOLINA, RESTAURANTE OU LANCHONETE PARA DESCANSAR POR 15 MINUTOS. NESTE PERÍODO, DÁ PARA SE HIDRATAR, IR AO BANHEIRO, ESTICAR AS PERNAS E DESCANSAR A MENTE
• Uma boa opção para quem sofre com a artrite reumatóide (uma doença que causa a inflamação das articulações) é uma bola de câmbio maior
• Se o idoso sente alguma dificuldade no trânsito, ele deve redobrar a atenção e dirigir com paciência e calma. Guie por distâncias menores em lugares que já conhece, já passou e sabe o trajeto. Isso facilita, assim como dirigir em horários mais apropriados, especialmente durante o dia
Por mais prudente que seja o condutor, porém, é impossível negar que, à medida que ele envelhece, seu corpo passa a sofrer uma série de défi- cits e que essas perdas, no trânsito, significam perigo à vista e podem colocar a vida tanto de motoristas quanto de pedestres em risco.
Com o passar do tempo, há uma perda gradual da coordenação motora, e os reflexos de ação e reação do corpo, comandados pelos músculos e articulações, se tornam mais lentos. Para sair com agilidade de situações repentinas e difíceis (típicas da hora do rush e do vaivém caótico dos carros pelas estradas), o reflexo é uma reação imprescindível para o motorista. Ele funciona como uma espécie de co-piloto, que alerta imediatamente o condutor sobre o que fazer, por exemplo, para evitar uma tragédia e desviar do carro dirigido por um jovem embriagado que ultrapassa o sinal vermelho.
Mas não é só. Graças a algumas perdas visuais, auditivas e até aos sintomas de doenças típicas dessa fase da vida, conduzir um veículo após os 60 anos torna-se uma atividade complexa que requer integração rápida e contínua de habilidades cognitivas, sensoriais, perceptivas e motoras.
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Não há limite máximo de idade para dirigir. Mas a partir dos 65 anos, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) precisa ser renovada a cada três anos. Problema maior enfrenta o idoso com CNH categoria profissional, cuja exigência é de visão máxima em ambos os olhos. Neste caso, sua provável redução da capacidade visual com o avançar da idade poderá rebaixá-lo, durante o teste, à categoria de motorista amador. Neste caso, a lei pede visão máxima em pelo menos um olho. Freqüentar o oftalmologista e manter os óculos em dia é uma dica importante para quem deseja continuar dirigindo. Muitas vezes, somente a troca dos óculos já traz muitos benefícios. Não devemos mais ter a idéia de que é normal o idoso enxergar mal, nem ouvir mal. Para ambos os casos, aliás, há alternativas cada vez mais modernas de tratamento e de recuperação das perdas. Os especialistas recomendam que, a partir dos 60 anos, sejam realizados exames de saúde periódicos, especialmente auditivos e oftalmológicos. Os exames da vista, por exemplo, ajudarão a evitar ou tratar precocemente as doenças oftalmológicas, como o glaucoma, e outras como a hipertensão e o diabetes, capazes de causar uma perda periférica do campo visual. Na prática, essa falha na visão faz com que o idoso não enxergue um carro que se aproxima pela lateral ou tenha dificuldades extras para manobrar o carro.
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