VIVA SAÚDE ADVERTE: BEBA COM MODERAÇÃO Os adolescentes estão cansados de ouvir ou ler esta tarja preta e séria que aparece minúscula nas propagandas de bebidas alcoólicas. Infelizmente, poucos levam a recomendação a sério. Resultado: 78% dos jovens brasileiros bebem regularmente e 19% deles já são dependentes do álcool
POR ADRIANO CATOZZI FOTOS FERNANDO GARDINALI ILUSTRAÇÕES BUSSADORI
"As companhias produtoras de bebidas têm como alvo o consumidor jovem, e toda a propaganda gera uma cultura em que o consumo de álcool está associado à jovialidade, juventude, esportividade e praia. Este é um apelo muito forte ao adolescente", completa o psiquiatra.
Segundo o médico Pechansky, é preciso uma restrição severa à imensa penetração da mídia na adolescência. "Há uma total liberdade para propagandas de cerveja, bebida de baixo teor alcoólico. A legislação atual só regula os horários de transmissão para bebidas com teor alcoólico acima de 13%", explica. De fato há uma disputa, no mínimo, desproporcional entre as belas imagens produzidas em um comercial e a tarja preta governamental, sóbria e obrigatória, pedindo para o jovem "beber com moderação" ou "não dirigir, se beber".
SEGUNDO O MINISTÉRIO DA SAÚDE, O ALCOOLISMO É RESPONSÁVEL POR 30% DAS OCORRÊNCIAS POLICIAIS, 20% DOS ACIDENTES DE TRABALHO E 75% DOS ACIDENTES FATAIS DE TRÂNSITO
Outro fator estimulante ao consumo é todo o glamour associado ao ato de beber nesta idade. "Para os jovens, consumir álcool não é um hábito apenas socialmente aceitável, mas quase uma necessidade se eles quiserem participar dos grupos ao qual almejam pertencer. O bar se tornou o ponto de encontro usual para eles, o centro da sua vida social. Para alguns, o único que existe", escreve o psiquiatra irlandês John Cooney, especialista em dependência alcoólica, em seu livro Sóbrio (Ed. Nova Era).
Comportamento de risco
O consumo de álcool, por si só, pode trazer importantes prejuízos ao organismo e ao desenvolvimento do adolescente. Mas o hábito de beber muito e regularmente também está freqüentemente associado a uma série de comportamentos de risco que aumentam as chances de envolvimento em acidentes, violência sexual e até participação em gangues. "O consumo de bebidas alcoólicas na adolescência está fortemente associado a morte violenta, queda no desempenho escolar, dificuldades de aprendizado e prejuízos no desenvolvimento e estruturação das habili dades cognitivo-comportamentais e emcionais do jovem", alerta o psiquiatra Flávio Pechansky, da UFRGS.
"Os adolescentes, em comparação com os adultos, são mais sensíveis ao uso excessivo de álcool (ou seja, cinco ou mais doses, em média, por ocasião), como os efeitos neurotóxicos e a inibição da neurogênese (a fabricação de novos neurônios).
Assim, o cérebro do adolescente, que apresenta bastante plasticidade, pode sofrer mudanças duradouras e, conseqüentemente, pro vocar alteração de comportamento", explica o psiquiatra Arthur Guerra, doutor no assunto e fundador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas, da Universidade de São Paulo (Grea-USP).
Ele destaca também a ocorrência de "apagões", incidentes provocados pelo uso de álcool e caracterizados pela impossibilidade de evocar lembranças de um evento. Em uma fase marcada pelo aprendizado e pelo amadurecimento, um apagão desses pode prejudicar bastante o desenvolvimento cognitivo do jovem.
 |
(0,2 a 0,3 g/l) As funções mentais começam a ficar comprometidas, prejudicando as noções de distância e velocidade. |
| (0,3 a 0,5 g/l) Sensação de relaxamento: a atenção e o campo visual diminuem. |
| (0,5 a 0,8 g/l) Reflexos retardados, aumento da agressividade e negligência em relação aos riscos. |
| (0,8 a 1,5 g/l) Dificuldade para dirigir, falta de coordenação motora e da concentração. |
(1,5 a 2 g/l):
Embriaguez, visão dupla.
(2 a 5 g/l):
Embriaguez profunda.
(5 g/l):
Coma alcoólico. |
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3
|
 |



 |
As novidades da Viva Saúde em primeira mão!
|
|
|