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Edição 105 | EXPEDIENTE |
10% dos motoristas no Brasil deixam o carro na garagem... Não por alguma súbita consciência ecológica, mas por medo de dirigir mesmo. Além de lidar com esta fobia, eles precisam enfrentar o preconceito de uma sociedade que tem orgulho em andar motorizada POR AGUINALDO PETTINATI FOTOS FERNANDO GARDINAL
A curitibana Neiva Maria Piloni, de 42 anos, tirou a carteira de motorista há 12, tinha um carro à disposição em sua garagem, mas conseguiu dirigi-lo apenas duas vezes. "No princípio não entendi o motivo, só queria afastar o veículo de mim", lembra. Neiva apresentava todos os sintomas clássicos dessa fobia. "Quando me aproximava do carro, não sentia mais meu corpo, suava e tremia. Um dia, vi o carro crescer à minha frente, como se fosse um monstro", conta. Ela e sua família eram as principais prejudicadas. "Levava minhas filhas para a escola a pé, de ônibus ou de táxi, e, à noite, me preocupava se no dia seguinte iria chover". Só após quatro anos, ela descobriu que o temor que sentia era uma doença. E buscou ajuda. Aos poucos, por meio de consultas semanais e um processo de relaxamento com uma psicóloga, Neiva se livrou do medo. "Hoje sou outra pessoa e enfrento qualquer situação com o meu automóvel", comemora a curitibana. Medo, fobia ou pânico? Já o pânico corresponde à situação em que a pessoa se sente muito aflita ou desesperada diante de algo. "Em psiquiatria, este estado emocional se refere a um conjunto de sinais e sintomas, como intensa ansiedade, tremores, sudorese, palpitações, medo de morrer ou de perder o controle - situação esta, aliás, que pode ocorrer sem causa aparente ou diante de um fato estressante e que dura alguns minutos", conta o médico. Estas condições, habitualmente, são reconhecidas como diferentes transtornos de ansiedade, e as causas podem estar associadas a uma predisposição genética ou a experiências de vida e comportamentos aprendidos. Porém, nem todo medo é fóbico. "Se uma pessoa apresenta fobia de dirigir, provavelmente ela já possuía, anteriormente ao quadro, algumas características de personalidade que incluem o fato de sempre ter sido uma pessoa medrosa e que, a partir de uma má experiência em um carro (um acidente, por exemplo), pode passar a ter um medo exagerado e a não querer mais dirigir", avalia o professor Miguel Jorge (Unifesp).
Sem traumas Mesmo assim, segundo a psicóloga Neuza Corassa, autora do livro Vença o Medo de Dirigir - Como Superar-se e Conduzir o Volante da Própria Vida (Ed. Gente), o impressionante é que muitas das pessoas que têm medo de entrar no carro e enfrentar as ruas não sofreram anteriormente acidentes de carro e nem mesmo perderam familiares nas ruas e estradas. Para a psicóloga Cecília Bellina, dona da auto-escola Persona, especializada nesse tipo de fobia, é simples identificar esse mal. "Geralmente, a pessoa possui carteira de habilitação, tem carro, mas anda a pé", comenta. Cerca de 10% dos motoristas precisam de ajuda apenas para vencer a ansiedade e 95% das pessoas que buscam ajuda para perder o medo já possuem habilitação. PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
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