Garotada gordinha, sinal de problema Estima-se que até 2010, 300 milhões de crianças sofram
com a obesidade e seus riscos à saúde. Descubra os culpados e o que fazer para dar ao seu filho um futuro mais leve e saudável
POR SILVIA REGINA FOTOS FERNANDO GARDINALI
EMOÇÕES E ALIMENTOS
“A partir dos oito anos, usar a alimentação como válvula de escape é muito comum. A garotada continua a comer, mesmo se sentindo empanturrada, com dor de barriga e malestar”, afirma a psicóloga Silvana Martani, da Clínica de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e autora do livro Uma Viagem pela Puberdade e Adolescência (Ed. Aldeia Cultural). Essa busca de saciedade emocional, do alimento como a principal fonte de prazer, pode ser causada por vários fatores — entre eles uma fuga da própria obesidade que já existe. “Essa criança não pratica esporte, ganha apelidos na escola, tem dificuldade de ingressar nos grupos. Então, prefere ficar em casa e acaba comendo mais”.
Uma pesquisa realizada em 2002 pela psicóloga infantil Patrícia Spada, especialista em obesidade, mostra que as mães podem ser culpadas por essa associação emoções-e-apetite.
“Há mães que sentem dificuldade em identificar as necessidades do bebê. Então, assim que ele começa a chorar, elas acabam dando o peito, achando que assim o filho ficará bem”, explica Patrícia, autora do livro Obesidade Infantil: Aspectos Emocionais e Vínculo Mãe/Filho (Ed. Revinter). Mais tarde, o leite materno é, então, substituído por salgadinhos e outras guloseimas.
Essa atitude, que revela ansiedade das mães e até mesmo uma culpa por não se dedicar ao filho por muitas horas, acaba sendo uma forma de silenciar a sua própria dor. Só que esse costume gera um aprendizado prejudicial ao pequeno. “A criança não desenvolve seu ponto real de saciedade. Pior é que ela aprende que frustração se supre com comida”, conta Patrícia.
GENES E GULA
Atualmente, a ciência sabe que há mais de 100 genes associados ao excesso de peso. “Mas ainda se conhece pouco sobre a fisiologia da doença. Podemos considerá-la um mal novo que ainda é tratado com ferramentas antigas”, afirma Durval Damiani. Ter pais obesos também influencia muito. Se o pequeno tem só o pai ou a mãe fora do peso normal, ele apresenta 50% de chances de ser gordinho. Agora, se os dois adultos são obesos, as chances aumentam para 80%. “A criança que já possui predisposição genética e ainda vive em um ambiente de obesos, com certeza, desenvolverá a obesidade”, alerta a médica Zuleika Halpern. Por isso, é importante investir o quanto antes na prevenção. “Há pes soas que acham que até os três anos a criança pode engordar tudo o que quiser. Mas, quando chega aos quatro, ela já pode estar obesa. Há estimativas que mostram que as crianças que chegam obesas à adolescência têm 80% de chances de permanecer assim na vida adulta.
“PRECISEI DE APOIO”
“Meu filho Matheus, de 11 anos, sempre foi gordinho. Como temos outros casos de obesidade na família, restringia a dieta dele ao máximo. Ele até emagrecia, mas depois engordava o dobro. Aos nove anos, chegou a pesar quase 90 kg. Era alvo de apelidos e chacotas na escola. Além disso, o peso não permitia que brincasse. Jogar futebol era uma tortura. Apesar de sofrer, ele insistia em ficar em frente à TV, comendo guloseimas. Eu até tentava controlar, mas ele corria para a casa da tia para comer escondido. Seu quadro só mudou quando a família decidiu colaborar. Às vezes ele desanima, mas com apoio logo recobra o esforço.
Maria Aparecida Hashimoto, auxiliar administrativa, de São Paulo |
PRODUÇÃO: ILKA BERENDT. CABELO E MAQUIAGEM: BETO FRANÇA. AGRADECIMENTOS: TKTS (ROUPAS) 11.3088-2644. MODELOS: MARIA VITÓRIA (TYPOS) E VICTOR RIGUEIRO (TYPOS)
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3
|
 |



 |
As novidades da Viva Saúde em primeira mão!
|
|
|