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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  Felicidade a qualquer preço
Para superar todos os problemas e ser feliz, muitas pessoas não saem de casa sem os antidepressivos. O uso indiscriminado dessas drogas, porém, só tem aumentado a insatisfação e a falta de ânimo para lidar com os altos e baixos da vida

POR HELOÍSA NORONHA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

As pílulas da felicidade

ESSES REMÉDIOS
SÓ DEVERIAM SER
INDICADOS POR
MÉDICOS E EM
ALGUNS CASOS

Os antidepressivos devem ser indicados apenas em casos de depressão ou ansiedade crônica. Problemas neurológicos e doenças ligadas, direta ou indiretamente, ao cérebro também podem ser tratados com a ajuda desses remédios - é o caso da herpes zoster, uma enfermidade de pele que também atinge o sistema nervoso.

Mesmo que essas drogas não causem dependência física, como os tranqüilizantes, a automedicação e o uso prolongado, porém, podem levar à dependência psicológica. Ou seja, de acordo com os médicos, ficar dependente do uso de antidepressivos tem mais a ver com uma vulnerabilidade pessoal do que com uma imposição bioquímica. No entanto, cerca de 90% desses medicamentos causam constipação intestinal (prisão de ventre) crônica, bruxismo (roçar de dentes), retenção urinária, perda de libido, obesidade, etc.

De acordo com o psiquiatra Montezuma Pimenta, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, o uso de antidepressivos sem autorização médica pode gerar episódios de exaltação do humor. Já o psiquiatra Leonard F. Verea, especialista em medicina psicossomática e hipnose clínica, explica que nosso organismo e nosso humor têm um biorritmo próprio, que atravessa momentos de altos e baixos. A mulher, principalmente, é moldada por ele por causa das variações hormonais (sim, a TPM é um reflexo disso). Para quem não sofre nenhum distúrbio emocional, o antidepressivo simplesmente não faz efeito durante a fase de "altos". Já quando a pessoa os toma durante os períodos ruins, pode acabar girando em círculos e, inclusive, entrar em depressão. "É um gasto de energia que não leva a lugar algum", diz Verea. Até porque remédio algum tem o poder de apagar os problemas da nossa vida.

Um dos antidepressivos mais procurados é o Prozac, à base de fluoxetina, lançado em 1987. Ele inaugurou a era dos inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS), que agem aumentando os níveis cerebrais do neurotransmissor serotonina, responsável pelas sensações de prazer e bem-estar. O problema é que, em excesso, essa substância pode afetar drasticamente o sistema nervoso central. O resultado do uso indiscriminado é de dar medo: tiques nervosos, insônia, vertigens, alucinações e comportamentos suicidas ou homicidas.

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