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Edição 105 | EXPEDIENTE |
Salvar o planeta é uma missão difícil. Mas as primeiras estratégias de combate devem começar dentro de casa - substituindo, por exemplo, os produtos de limpeza por um arsenal menos tóxico e mais natural e ecológico POR JANETE TIR FOTO FERNANDO GARDINALI
A batalha diária contra os germes e bactérias conta com um arsenal poderoso. São produtos de limpeza de última geração, com aroma de flores do campo ou de limão, aqueles para faxina pesada, limpa-vidro, desengordurante, tira-limo, lustra-móveis e, para completar, litros e litros de cloro e, é claro, um bom desinfetante para garantir que a casa ficará limpa mesmo. Mas é preciso ter cuidado. Além de atingir em cheio os microrganismos, esta artilharia toda pode prejudicar a saúde de sua família, dos animais de estimação e ainda contribuir para a contaminação do meio ambiente. Para quem acha que isso não passa de um alarme fora de propósito, é bom conhecer um pouco mais a fundo as reações do organismo aos produtos de limpeza convencionais, principalmente quando usados indiscriminadamente. É claro que necessitamos cuidar da manutenção de nossas residências, mas existem atitudes que minimizam a ação desses compostos químicos, que podem ser tóxicos, corrosivos, irritantes e alguns até cancerígenos, como o formol, comprovadamente, e outras substâncias que ainda estão sob investigação. Por que evitar a limpeza convencional A água, que já é escassa, é um dos principais alvos atingidos por alguns produtos convencionais. Os níveis de fosfato presentes nos detergentes, por exemplo, apesar de controlados por lei, quando lançados em rios e lagos, dificultam a oxigenação da água, por conta daquela espuma branca - chamada de cisne-de-detergente -, e favorecem a multiplicação de algas vermelhas. Estes dois itens são os principais responsáveis pela morte da vida aquática. As pessoas que sofrem com alergias de pele e respiratórias são as que mais precisam tomar cuidado ao manusear substâncias químicas. "Em geral, os produtos de limpeza que contêm amoníaco ou cloro propiciam, no mínimo, uma reação irritativa na pele: a dermatite de contato, que começa com coceira, descamação, vermelhidão e, como conse qüência, feridas, ocasionadas pelo ato de coçar, que abrem uma porta para infecções", explica a dermatologista Meire Brasil Parada, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). De acordo com a médica, outro tipo de hipersensibilidade muito comum, associado a esses produtos, é o cheiro forte que produzem. "A pessoa acaba inalando e começa a apresentar dor de cabeça, coriza, coceira e prurido nos olhos e nariz. Além, é claro, de correr o risco de apresentar uma crise grave de bronquite ou de asma", esclarece Meire Brasil. Para eliminar estes problemas, segundo a especialista, "é imprescindível evitar o contato ou a exposição ao agente que provoca a reação alérgica. Já para controlar episódios de crise, é comum o médico receitar antialérgicos ou mesmo antiinflamatórios", ensina. Mas faz uma alerta: "de nada adianta o indivíduo tomar esses medicamentos e continuar tendo contato com o produto que lhe prejudica". Outra medida simples, mas eficaz, se não houver jeito de ficar longe de certos produtos, é deixar as janelas da casa sempre abertas para dispersar o cheiro o quanto antes. É importante ressaltar ainda que crianças ou animais de estimação não devem sentar ou deitar no chão logo após a limpeza e, muito menos, entrarem em contato direto com produtos corrosivos e tóxicos.
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