O "barato" da corrida e os riscos de viciar Correr é um esporte cada vez mais popular. E não é para menos: pode ser praticado em qualquer lugar e ainda ajuda a manter a saúde em dia. Mas atenção: quando vira um vício pode causar problemas
POR ROSANA FARIA DE FREITAS FOTOS FERNANDO GARDINALI
Atenção para o excesso
"Caso não seja bem orientado, qualquer aluno está sujeito ao overtraining - o excesso de treinamento que leva à falta de equilíbrio e causa prejuízos à saúde", alerta Wanderlei.
Na corrida há várias conseqüências, como a liberação prolongada de hormônios na corrente sangüínea, que causa redução das defesas imunológicas e cansaço crônico, e o perigo de se sofrer com fraturas de estresse.
Correr demais também acelera a chegada das rugas. Isso ocorre por que o exercício faz o organismo consumir mais oxigênio e, dessa forma, detona a produção de radicais livres, moléculas responsáveis pelo envelhecimento dos tecidos. "Nas mulheres, o excesso pode levar ao surgimento de sintomas da 'tríade da mulher atleta': anorexia (transtorno alimentar), amenorréia (suspensão da menstruação) e osteoporose", salienta Isaías Rodrigues. Tal quadro tende a piorar quando não se toma certos cuidados, como dormir bem, hidratar-se e manter uma alimentação de qualidade. "Tão importante quanto o treinamento é o repouso. O corpo precisa desse tempo de recuperação", diz Marcos Paulo. O ideal, segundo ele, é correr três ou quatro vezes por semana, entre 6 km a 10 km.
Outra observação diz respeito às maratonas. Como pipocam provas o ano inteiro nas grandes cidades, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, se o corredor exigir demais de si mesmo pode sofrer com as conseqüências - sobrecarga nas articulações de tornozelos, joelhos, bacia e coluna, e fraturas por estresse.
Os professores de educação física ainda recomendam exames, que não devem ser feitos apenas antes do inicío do treino, mas com regularidade - pelo menos uma vez por ano. Entre eles: teste ergoespirométrico, que medirá os limites de treinamento aeróbico e anaeróbico, eletrocardiograma de esforço e ecocardiograma. Na hora da corrida, vale também priorizar os pisos macios (terra, grama, esteira), intercalar dois pares de tênis (que devem ser específicos para a prática do esporte), não correr de estômago vazio (pode causar hipoglicemia e perda de massa muscular) e, finalmente, parar e procurar ajuda médica, se sentir alguma dor ou desconforto muscular.
Dependente não admite vício
"Corro, em média, de cinco a seis vezes por semana, entre 8 km e 10 km. Depois ainda faço uma hora de spinning, o que totaliza quase duas horas de aeróbica por dia. Quando estou no Rio de Janeiro e só me resta a corrida, como atividade física, faço um percurso maior, de 15 km.
Sei que não é o ideal exagerar nos aeróbicos, mas sinto uma dificuldade enorme para diminuir. Se não vou à academia, fico mal e passo o resto do dia me culpando. A sensação, quando completo o treino, é de dever cumprido. Digo para mim mesma: 'agora sim, meu dia vai começar!' Não acho que seja viciada, embora admita que dependo da corrida para me sentir bem, bonita e com poder pessoal." (F.R.S., publicitária)
 PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2
|
 |



 |
As novidades da Viva Saúde em primeira mão!
|
|
|