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Edição 109 | EXPEDIENTE |
A equação é simples: menos cigarro = mais qualidade de vida. Já que é assim, quebre a dependência do tabaco o quanto antes POR JANETE TIR ILUSTRAÇÃO MG STUDIO
SAÚDE EM RISCO Fumei durante 30 e poucos anos e sempre gostei do cigarro. Passou a ser uma necessidade, me sentia confortável e me acalmava. Quando a pessoa pára de fumar, não deve ceder à tentação. Nem ter desculpas para voltar a fumar como, por exemplo, 'hoje estou com um problema sério em casa'. Eu vou fazer o possível para não voltar a fumar. O mais engraçado é que, só depois de parar, percebi o cheiro do cigarro. Quando abraço alguém e sinto aquele cheiro, logo me lembro que muitas pessoas já passaram por isso comigo. A casa também fica cheirando a fumaça, as suas roupas, tudo. Parar de fumar é algo que se precisa querer muito. Por isso, faço o possível para não pensar no cigarro e procuro me entreter com o trabalho." Deise Cirillo, secretária aposentada, 66 anos.
PARA ESTAR BEM NA VIDA Agora tudo voltou ao normal. Não fiz nenhum tipo de tratamento. Consegui parar de fumar apenas com a força de vontade e acho que, mesmo tomando algum remédio, se não houver uma grande disposição para deixar o cigarro, vai ser ainda mais difícil. Depois que parei, em 1995, senti uma melhora de 100%. Fumava desde os meus 18 anos, pelo menos, dois maços por dia e, às vezes, até maneirava. Mas cada vez que tinha uma preocupação recorria ao cigarro e ao café. Hoje, não tenho mais vontade de fumar. Ao contrário. Não suporto alguém fumando e soltando fumaça ou, então, um cinzeiro cheio, pois o cheiro é impressionante. Tenho certeza de que se não tivesse deixado o cigarro naquela época, hoje eu não estaria aqui." Paulo Trota, aposentado, 72 anos.
PROVA DE AMOR Tirando um intervalo de oito meses, fumei durante 16 anos de uma forma desbragada. Em 1971, fui ao médico e ele constatou que eu tinha um pequeno depósito de alcatrão na traquéia e alguns problemas pulmonares e me colocou contra a parede: ou parava de fumar ou morria. Na época, tinha 24 ou 25 anos, parei e fiz um tratamento sério durante oito meses. Depois desse período, o médico disse que eu estava curado. Saí do consultório e ouvi muitos conselhos: 'vê lá o que você vai fazer da sua vida, agora que está muito mais saudável'. No dia seguinte, comprei três maços de cigarro e comecei tudo de novo, no mesmo ritmo, aquela loucura de sempre. Em janeiro de 1975, minha mulher estava grávida do nosso primeiro filho e, bem no início da gravidez, ela teve um pequeno sangramento. Na hora, o médico ficou meio assustado, mas logo viu que não era nada grave. Entrei em pânico e pensei que, por causa do cigarro, estava matando o meu filho. Assim, de um dia para o outro, resolvi que não ia mais fumar. Como não tinha certeza até onde essa minha determinação me levaria, continuei mantendo um maço de cigarro e o isqueiro no bolso, caso fraquejasse ou me sentisse mal, com a crise de abstinência. Hoje, são 32 anos sem fumar. No começo, senti muita vontade, e sinto até hoje, mas sei que não devo. Ultimamente, a vontade tem sido menor, mas não posso dizer que tenho repugnância pelo cigarro como as pessoas falam. Deixar esta dependência foi uma das melhores coisas que fiz. Se tivesse continuado a fumar no mesmo ritmo, acho que não sobreviveria. Acabei usando o mesmo tipo de raciocínio dos Alcoólicos Anônimos, desafiando a mim mesmo: um dia de cada vez. Hoje eu consegui, vamos ver se eu consigo amanhã. E deu certo, felizmente. Mas tudo isso aconteceu por uma determinação maior. Talvez eu precisasse tanto de um gatilho para parar de fumar que inventei: por amor ao meu filho, já que eu não tinha amor por mim mesmo." Décio Piccinini, jornalista, 61 anos.
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