hormônio para crescer? só em casos Entenda quando a terapia para acelerar o crescimento
da criança é realmente necessária, como ela funciona
e o que os pais precisam saber antes de submeter seus
fihos ao procedimento
POR EULINA OLIVEIRA
O hormônio do crescimento é um velho conhecido dos pais. Assim que notam que seus filhos estão um pouco mais baixos do que a média das outras crianças da mesma idade, logo recorrem à terapia com o hormônio do crescimento, para ajudá-los a crescer mais. Esse hormônio, também conhecido como GH (do inglês, growth hormone), é produzido naturalmente pelo nosso organismo. A versão sintética foi desenvolvida na década de 50. Até os anos 80, a sua aplicação foi restrita mas, a partir dessa data, passou a ser fabricado em laboratório e muitos especialistas passaram a usálo para aumentar a estatura das crianças.
O tema, porém, é polêmico. Será que qualquer criança pode ser submetida à terapia com o GH? Os especialistas são unânimes em responder que não. “Por questões estéticas, muitos pais desejam que seus filhos sejam mais altos. Entretanto, o GH só pode ser recomendado para casos muito específicos”, alerta a pediatra Ana Maria de Ulhôa Escobar, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. Segundo Romolo Sandrini Neto, presidente do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, se o GH não for bem indicado, não mudará em nada a altura dos pequenos. “O uso indevido desse hormônio produzirá apenas expectativa e nenhum resultado.”
Antes de optar pela terapia com o GH, os pais precisam ter o aval de um pediatra e de um endocrinologista pediatra. “Só os especialistas podem avaliar se o crescimento natural de uma criança está comprometido ou não”, afirma Hilton Kuperman, responsável pelo Departamento de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. “De forma alguma deve-se intervir artificialmente no crescimento, sem que haja real necessidade.”
Adiando a chegada da puberdade
Quando a criança inicia precocemente (por volta dos oito anos nas meninas e dos nove nos meninos) a fase do desenvolvimento sexual — caracterizada, por exemplo, pelo crescimento de pêlos pubianos e pela primeira menstruação, no caso das garotas — seu crescimento normal é diminuído por conta da maturação óssea. Nesses casos, os médicos podem adiar esse processo de desenvolvimento, para que a criança possa continuar crescendo. No entanto, essa terapia também não está livre de reações adversas na garotada, como ondas de calor e ganho de peso. Por isso, ela só é adotada quando estiver comprovado que a criança está passando pela puberdade precoce. Porém, “o atraso da puberdade iniciada em crianças com desenvolvimento normal não aumenta a estatura final”, avisa Romolo Sandrini Neto. |
Indicações precisas
Os médicos só recomendam o tratamento com o hormônio do crescimento quando é constatado que o próprio organismo não fabrica a quantidade suficiente dessa substância, o que leva a criança a cres cer menos do que deveria. E isso acontece por algumas razões. Uma delas é uma falha na glândula hipófise, localizada no cérebro e responsável pela produção do GH. Algumas doenças preexistentes, tumores cerebrais, tratamentos com radioterapia e cirurgias cerebrais podem afetar o bom funcionamento dessa glândula. Também, se houver algum problema no hipotálamo, a região do cérebro que regula a secreção do hormônio pela hipófise, o crescimento da garotada fica comprometido. “Em grande parte dos casos, porém, as causas são desconhecidas”, lembra Angela Maria Spínola e Castro, chefe do setor de Endocrinologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
|
 |



 |
As novidades da Viva Saúde em primeira mão!
|
|
|