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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  hormônio para crescer? só em casos
Entenda quando a terapia para acelerar o crescimento da criança é realmente necessária, como ela funciona e o que os pais precisam saber antes de submeter seus fihos ao procedimento

POR EULINA OLIVEIRA

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENSNo entanto, quanto mais cedo for diagnosticado o baixo crescimento, melhores serão os resultados da terapia. “Normalmente, o tratamento começa a partir dos dois anos de idade. Mas ela pode ser realizada enquanto a cartilagem de crescimento estiver aberta, o que geralmente ocorre até os 14 anos para as meninas e os 15 anos e meio para os meninos”, esclarece a especialista.

Por isso, as visitas rotineiras ao pediatra são tão importantes. Pois, a cada consulta, o médico elabora um gráfico com a curva de crescimento da criança e ainda recorre a uma tabela com a faixa de altura normal (box ao lado) em cada fase da vida.

DESCUBRA SE SEU FILHO TEM UMA ESTATURA NORMAL
Para identificar se uma criança está crescendo de maneira saudável e dentro das medidas padrões para a sua idade, os especialistas recorrem à tabela abaixo. Se for identificada alguma diferença, outros exames e análises são realizados para saber se o tratamento com o GH é realmente necessário.

* Só pode ser utilizada como referência. Uma criança fora da faixa de altura não necessariamente tem problema de crescimento.

FONTE: MANUAL DO BEBÊ, DE RUY PUPO FILHO (EDITORA ALEGRO)

Com esses dados em mãos, o especialista ainda leva em conta outros fatores importantes para elaborar uma avaliação precisa: checa também a hereditariedade (por exemplo, se os pais são altos), o histórico da gestação, a estatura na hora do nascimento, a alimentação do bebê, entre outros.

Mas existem outras situações, nas quais a terapia com o hormônio do crescimento é indicada. Entre elas, os casos de Síndrome de Turner (alteração cromossômica que afeta as meninas e provoca, entre outros problemas, baixa estatura), Síndrome de Silver-Russell (retardo no crescimento intra-uterino, que persiste após o nascimento) e doenças renais crônicas (quando há uma alteração no metabolismo do GH). O uso do hormônio é recomendado, ainda, quando a criança tem Síndrome de Prader-Willy, doença genética que também compromete a altura e é caracterizada pela obesidade.

Desvantagens da terapia
A reposição do hormônio do crescimento é feita com somatotropina recombinante, uma substância que corresponde à produzida pelo nosso organismo. Resultado da engenharia genética, o GH sintético sintético tem de ser aplicado com injeções diárias. “O tempo de tratamento dependerá do prognóstico da estatura final”, diz a endocrinologista Angela Maria Spínola e Castro. “Em geral, demora, no mínimo, de dois a três anos.” Ainda existem situações nas quais, durante a reposição hormonal, a hipófise volta a produzir normalmente o GH. Quando isso acontece, o tratamento é suspenso.

A terapia com GH pode ter efeitos colaterais como dor de cabeça, aumento da taxa de glicose no sangue, edemas nas extremidades e alteração na cartilagem de crescimento do fêmur, que pode provocar dor. “Em geral, esses sintomas são controláveis”, afirma o endocrinologista Hilton Kuperman.

De acordo com Angela Maria Spínola e Castro, o sucesso do tratamento depende da sensibilidade de cada paciente ao hormônio sintético e da dose utilizada. “Alguns podem responder muito bem, enquanto outros, nem tanto.” Além de longa, a terapia com o GH é cara. O tratamento pode custar mais de R$ 1 mil por mês. De acordo com Hilton Kuperman, a rede pública de saúde brasileira disponibiliza o hormônio sintético apenas para casos de deficiência na produção de GH e de Síndrome de Turner.

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