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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  Crises nervosas
Reações explosivas no dia-a-dia podem se acumular e causar danos físicos, além do estrago em ambientes de trabalho e no convívio social. Aprenda a domar a fera que existe em você ou a lidar com a dos outros

POR ROSE MERCATELLI
ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

Um forte chute no rosto de um dos jogadores do time adversário quase selou o fim da carreira do goleiro Gastón Sessa, da equipe argentina de futebol Vélez Sarsfield, durante uma partida da Copa Libertadores da América, dia 5 de maio. Sessa, 34 anos, foi expulso por chutar intencionalmente o rosto de um atacante do Boca Juniors, time que ganhou o jogo por 3 x 0. Após o incidente, Sessa foi punido com uma suspensão que durará até o final desta temporada. Mas atitudes como essa não são novidades na vida do jogador. Seu histórico de encrenqueiro, aliás, já rendeu muitos problemas ao seu time. Por conta desse fato, o presidente do Vélez, Raul Gamez, ao anunciar o afastamento do jogador, também recomendou-lhe se submeter a um tratamento psiquiátrico, como requisito para voltar a jogar pela equipe.

Como o goleiro, existem muitas outras pessoas conhecidas pelo “pavio curto”, com temperamento explosivo e que parecem sempre estar prestes a entrar em erupção a qualquer momento. É aquele impulsivo que não pensa para falar o que sente ou demonstrar a sua irritação. Ao contrário, porém, do indivíduo que passa por uma raiva passageira e cotidiana, durante o trânsito infernal de um dia chuvoso na cidade de São Paulo. O explosivo, no entanto, ao menor desagrado, demonstra uma reação exacerbada e, na maioria das vezes, desproporcional ao acontecido. Ele se irrita com o chefe e com o estagiário. Não suporta que ninguém o contradiga, fala alto, em um tom de voz agudo, e gesticula muito. Em casa, então, sofre quem coabita com o intempestivo. Mulher, ou marido, filhos, até o cachorro. Mas, afi- nal, de onde vem esse temperamento?

PROTEJA-SE DO ATAQUE
Se você convive com alguém sujeito a ataques constantes, veja quais atitudes podem ajudar a acalmá-lo:

• Se ele demonstra irritação, mantenhase a distância até que a raiva passe. Essa postura diminui o risco de um conflito maior ou atitudes agressivas.
• Não queira discutir a relação ou chamar a atenção do outro para o despropósito de sua reação. É melhor deixar a conversa para depois.
• Não altere a voz nem discuta em tom agressivo. Fale claramente, mas com voz firme e baixa. Use um tom dócil e conciliador. Gestos tranqüilizadores e sorrisos cordiais ajudam a baixar a adrenalina do outro.

ÓRGÃOS DE CHOQUE
A cada explosão de nervos, o organismo recebe uma enxurrada do hormônio adrenalina. Esta é a mesma substância, entre outras, que é lançada no sangue quando sofremos um susto, por exemplo.

A adrenalina age contraindo os vasos sangüíneos, o que provoca palidez, tremores e taquicardia, além de suor frio. Ela prepara o corpo para uma situação de estresse. Ou seja, o organismo todo reage ou para enfrentá-la ou fugir dela. Mas assim que o medo do ataque eminente passa, tudo retorna à sua condição de normalidade. Porém, quando o organismo passa constantemente por essa condição, recebe sucessivas cargas hormonais. Isso aumenta o risco de aparecer sinais de várias doenças, como os sintomas de problemas cardíacos, respiratórios (quadros semelhantes a asma e bronquite), dermatites, cefaléias tensionais e até distúrbios como incontinência urinária. Ou seja, diversas regiões do organismo podem ser afetadas pelo excesso de explosões. No entanto, cada pessoa tem um órgão de choque que pode ser mais afetado do que os outros pela adrenalina. Dessa maneira, frente a uma situação tensa, um sujeito que sofre de gastrite nervosa, por exemplo, pode estar acostumado a engolir sapos sem reclamar e, um dia, explode por dificuldades em digerir um “girino”. “Mas não há regras. Cada um reage à sua maneira e tem esse ou aquele órgão afetado. Não dá para dizer se um indivíduo contido vai sofrer mais de gastrite do que o mais explosivo”, diz o psiquiatra José Paulo.

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