O corpo reconstruído Técnicas e métodos revolucionários, como o enxerto e os retalhos de pele, permitem às plásticas reparadoras garantirem melhoras físicas e emocionais aos pacientes com deformidades
POR GIULIANO AGMONT
O Brasil realiza mais de meio milhão de cirurgias plásticas por ano. A maioria delas é estética, com destaque para as festejadas lipoaspirações.
Porém, um número significativo de pessoas, cerca de 40%, submete-se a esse tipo de tratamento com outra finalidade: reparar uma deformidade de nascença ou adquirida no decorrer da vida, que muitas vezes compromete a funcionalidade do organismo — além de provocar profundos danos psicológicos. São homens e mulheres que sofreram queimaduras, acidentes, infecções, tumores e seqüelas de procedimentos cirúrgicos. Cada caso é único. Mas certamente todos se fi- zeram a mesma pergunta antes de chegar à mesa de operação: é possível reconstruir meu corpo e dissimular as deformações?
A resposta, claro, é sim. O que não significa que o cirurgião-plástico é uma divindade capaz de realizar milagres. Mutilações, queimaduras de terceiro grau extensas, processos infecciosos mais graves ou suturas malfeitas deixam cicatrizes importantes, em geral difíceis de serem tratadas. Por isso, a primeira medida que se deve tomar, antes de decidir por uma cirurgia plástica, é saber do médico o que realmente ele pode fazer. “Não existem poções mágicas, mas já temos recursos para trabalhar de forma bastante eficiente a reconstrução de peles, cartilagens, músculos, ossos, mucosas e nervos”, garante Douglas Jorge, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
O princípio da cirurgia plástica é o transplante de pele, que já era feito na Índia 600 anos antes de Cristo — sem anestesia e fios de sutura, evidentemente. “Hoje, fazemos a dissimulação das marcas, usando basicamente duas técnicas: o retalho cutâneo, em que mantemos o tecido irrigado de sangue durante a operação; e os enxertos ou transplantes livres, em que retiramos totalmente a pele de uma região e a aplicamos em outra”, resume o cirurgião-plástico.
Avanço microcirúrgico
O grande avanço da medicina nessa área é a microcirurgia, que nos permite, por exemplo, suturar ner vos, interligando suas terminações neu - rais, de forma mais precisa.
“A técnica também possibilita a sutura de vasos sangüíneos do tecido transplantado na região receptora, o que tem permitido até o uso de retalhos complexos, constituídos por vários tipos de tecidos, como o que ocorreu no transplante de face”, complementa a cirurgiã-plástica Deusa Pires Rodrigues, também membro da SBCP. Mas a médica destaca que a cirurgia plástica costuma ser a última etapa do processo de reconstrução. “No caso de um acidentado de carro com lesão de face e traumatismo craniano, por exemplo, o cirurgião-geral e o neurocirurgião agem primeiro, um avaliando e estancando qualquer hemorragia e o outro evitando qualquer aumento de pressão intracraniana.”
Outras duas técnicas, bastante utilizadas nas plásticas estéticas, também podem servir às cirurgias reparadoras. Uma é a lipoaspiração, que consiste na remoção de gordura subcutânea através de um instrumento de sucção. “Há doenças em que há acúmulo de gordura em determinadas partes do corpo, como a síndrome adiposa genital. Nesses casos, há a necessidade de uma lipoaspiração”, ilustra o cirurgião Douglas Jorge.
A outra é a prótese de silicone, aplicada em diversos tratamentos, como a reconstrução mamária após uma mastectomia (retirada da mama devido ao câncer que atinge a região). Os benefícios de uma cirurgia plástica reparadora, contudo, não podem nunca ofuscar o lado negativo desse tipo de tratamento.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
|
 |



 |
As novidades da Viva Saúde em primeira mão!
|
|
|