Pausa para a ginástica Cada vez mais empresas oferecem a seus funcionários um programa de exercícios físicos durante o expediente no próprio ambiente de trabalho. Conheça nas próximas páginas os detalhes dessa tendência
POR CONSTANÇA TATSCH FOTOS FERNANDO GARDINALI
Quem nunca chegou quebrado em casa depois de um dia puxado de trabalho? Essa cena clássica é cada vez mais comum no dia-a-dia moderno, o que tem chamado a atenção de especialistas da área de gestão. Afinal, funcionário esgotado física e mentalmente, sofrendo com dores localizadas pelo corpo e desânimo generalizado, não é bom negócio para a empresa. O ideal é que ele cuide da própria saúde e faça exercícios regularmente. Mas quem tem tempo, disposição e dinheiro para isso? A solução para o impasse pode ser mais simples e barata do que se pensa. Preocupadas com o bem-estar - e a produtividade - de seus funcionários, algumas companhias brasileiras estão apostando em um programa bastante promissor: a ginástica laboral.
Não é uma novidade. A ginástica laboral surgiu na Polônia, em 1925, destinada a operários, e se espalhou pela então Alemanha Oriental, Bulgária e Holanda. Um dos países onde mais se desenvolveu foi no Japão e, atualmente, um terço dos trabalhadores se exercita diariamente. Já na Rússia 150 mil empresas, envolvendo 5 milhões de funcionários praticavam e ainda praticam a chamada "ginástica de pausa", adaptada a cada função.
No Brasil, os exercícios chegaram por meio de executivos japoneses, por volta de 1969. Porém, até hoje são poucas as empresas que incluem a ginástica para os funcionários entre seus planos e estratégias. Felizmente, essa realidade está mudando e a tendência é que esse número cresça nos próximos anos. "A ginástica laboral oferece benefícios físicos, mentais e sociais ao empregado. Também contribui para a melhoria na produção", garante a fisioterapeuta Clarice Tanaka, diretora do Serviço de Fisioterapia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
PARADAS DE DEZ MINUTOS |
Os especialistas acreditam que a legislação pode ser um ótimo argumento para que as empresas implantem um programa de ginástica laboral. "Legalmente, as pessoas devem fazer uma pausa de dez minutos a cada 50 minutos de trabalho", informa. Uma nova lei que passou a valer em abril também pode servir de estímulo para as empresas cuidarem da saúde dos funcionários. A partir de agora, se o empregado adoece no trabalho, é a empresa que tem de provar que o ambiente profissional não é o responsável pela situação. |
A especialista já adianta que os exercícios são simples. Também não demandam aparato, equipamento especial ou local específico. Mas o programa precisa ser adaptado ao tipo de trabalho dos empregados. A atividade deve acontecer em uma área comum, próxima ou no próprio local de trabalho. "Se a pessoa trabalha de salto alto, saia, terno, gravata, não tem problema nenhum... É assim mesmo que ela vai fazer os exercícios", explica a fisioterapeuta Clarice Tanaka. O objetivo da ginástica é principalmente alongar e relaxar a musculatura, mas os ganhos vão muito além, melhorando a qualidade de vida do trabalhador.
A ginástica deve ser realizada diariamente, antes, durante e após o expediente. São sessões de pelo menos dez minutos. A primeira delas é preparatória e tem como principal objetivo condicionar o indivíduo para o início das atividades, aquecendo os músculos que serão solicitados na sua tarefa. Depois vem a compensatória, que visa aliviar tensões, fortalecer a musculatura, interromper os movimentos repetitivos impostos pelas tarefas de trabalho e evitar fadigas. Por fim, há o relaxamento, que ajuda a soltar os músculos e acalmar a mente.
O programa deve ser elaborado por um médico do trabalho ou outro especialista. "É fundamental conhecer o perfil dos funcionários, que tipo de atividades fazem, quais tarefas cumprem e qual é a jornada de trabalho deles. Também é preciso levar em consideração fatores de risco do trabalho, como turno, ambiente inadequado, claridade e barulho", ressalta a especialista.
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