Pausa para a ginástica Cada vez mais empresas oferecem a seus funcionários um programa de exercícios físicos durante o expediente no próprio ambiente de trabalho. Conheça nas próximas páginas os detalhes dessa tendência
POR CONSTANÇA TATSCH FOTOS FERNANDO GARDINALI
O ergonomista Carlos Campos, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, diz que a realidade ainda está longe de ser a ideal. "Infelizmente, a minoria das empresas investe em um programa de ginástica laboral, por uma questão cultural", lamenta. Ou, então, quando oferece, os funcionários acham que é bobagem ou ficam com vergonha. "A participação não deve ser obrigatória. A pessoa precisa aderir aos exercícios de modo consciente, interessada nos benefícios que pode obter." Apesar disso, o médico acredita que empregados e empregadores têm de buscar melhorias e cobrar uns dos outros uma iniciativa. "No primeiro momento, o vizinho da mesa ao lado pode estranhar ao vê-lo alongando braços e punhos, ali no escritório. Mas e se ele se interessar e, quem sabe, começar a fazer o mesmo?"
Embora ofereça diversas vantagens, a ginástica laboral não resolve todos os problemas de saúde no trabalho. Existe um conceito mais abrangente, a ergonomia, na qual a ginástica laboral se insere. Vem do grego: ergon (trabalho) e nomos (lei).
Qualidade de vida
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| Exercícios alongam e relaxam a musculatura e devem ser feitos com a roupa de trabalho |
Essa é uma especialidade recente, ligada à busca por qualidade de vida, que estuda a organização do trabalho humano. Avalia os diversos aspectos do ambiente de trabalho: o físico (mobiliário, equipamento, iluminação e barulho), o organizacional (forma de gestão, normas, horas de trabalho e relação entre gestor e trabalhador) e o cognitivo (capacidade do profissional para desenvolver seu trabalho).
"A ginástica laboral trata do homem, mas antes temos de analisar o trabalho. Não adianta cuidar da saúde da pessoa se o ambiente de trabalho dela está doente", acredita Carlos Campos. Na prática, não basta fazer o exercício se a pessoa senta em um banquinho, sem lugar para colocar os pés, ou trabalha 16 horas por dia e exigem dela que resolva os problemas mais complexos da companhia em uma semana.
A própria ginástica laboral pode tornar-se vilã, se for feita de forma inconseqüente. Campos relata que, há algum tempo, uma usina decidiu oferecer a atividade, para cortadores de cana: eles deviam fazer polichinelos! O problema é que, em vez de relaxar, o programa sobrecarregava e desgastava ainda mais o organismo dos trabalhadores, prejudicando o desempenho e a saúde deles.
PASSO-A-PASSO |
1- Entrelace os dedos das mãos e alongue os braços para a frente por 20 segundos. Repita duas vezes. Faça o mesmo esticando os braços para cima.
2- Com a mão esquerda, segure o cotovelo direito atrás da cabeça por 10 segundos. Repita do outro lado.
3- Levante os ombros para cima, como fazem as crianças, e segure nessa posição por 5 segundos. Repita três vezes.
4- Incline a cabeça para o lado direito (orelha no ombro) e puxe o braço esquerdo para baixo por trás das costas.
5- Encoste as palmas das mãos, jogando os cotovelos para fora. Movimente as mãos, como se estivesse apontando, para cima e para baixo.
6- Sentado, com as costas retas, estique um braço para cima e o outro para baixo por 10 segundos. Alterne os braços.
7- Sentado, cruze a perna direita sobre a esquerda. Gire o tronco para o lado contrário e mantenha a posição por 10 segundos. Repita do outro lado.
8- Com as mãos na região lombar, estufe o peito para a frente e para cima e eleve a cabeça simultaneamente.
9- Com os braços caídos ao longo do corpo, chacoalhe as mãos por 10 segundos.
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