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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  Cada um com seu relógio biológico
Alguns adoram acordar cedo e curtir o sol matutino, outros optam pela noite e passam a madrugada trabalhando. Seja qual for a sua preferência, vale a pena conhecer-se melhor e saber o ritmo do seu corpo

POR FABIOLA TARAPANOFF | FOTOS FERNANDO GARDINALI

Quem não tem amigos com ritmos biológicos diferentes? Um levanta bem-humorado e o outro mal consegue dar "bom dia". Mas, quando a noite cai, o primeiro dá sinais de cansaço e boceja sem parar. Já o segundo está animado e produz muito mais no trabalho.

De acordo com a bióloga Roberta Arêas, do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos (GMDRB) da Universidade de São Paulo (USP), o funcionamento do organismo é baseado nos estímulos externos que recebemos das mais diversas condições do ambiente no qual vivemos (a luz solar é a principal). Para que o ser humano se adapte a essas variações e para que elas não provoquem uma verdadeira "bagunça", o corpo conta com osciladores internos que mantêm tudo sob controle, conhecidos como relógios biológicos. Há inclusive um ramo da Biologia, a Cronobiologia, que estuda a organização desses relógios.

O ritmo biológico, ou ritmo circadiano, é regido pelo hipotálamo - área localizada no cérebro - que controla o sono e a vigília, a temperatura corporal e até a quantidade de água no organismo. Segundo uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard (EUA), publicada na revista Science, o ritmo circadiano (que se inicia quando acordamos e termina ao dormimos) tem um período de 24 horas e 18 minutos, independentemente da idade. Ou seja, a duração desse ciclo permanece a mesma durante toda a vida, seja bebê, criança, adolescente, adulto ou idoso.

A especialista Roberta Arêas também confirma os resultados do estudo. Segundo ela, os bebês costumam dormir 16 horas por dia, mas é um sono polifásico, isto é, eles acordam e voltam a repousar várias vezes ao longo do dia. Com o tempo, a criança apresenta um padrão monofásico de sono e passa a dormir oito horas consecutivas durante a noite.

Matutino ou vespertino

Na adolescência ocorre um "atraso de fase". Muitos pais têm a impressão de que seus filhos dormem muito, pois costumam se levantar tarde. "A verdade é que, nesse período, o jovem prefere ir para a cama altas horas da noite e, como conseqüência, acordam mais tarde. Ele não necessariamente dorme mais", explica. Além disso, os jovens têm o hábito de sair à noite durante a semana e passar a madrugada em frente ao computador, situações que alteram o sono.

Os pesquisadores da USP estudaram o rendimento dos alunos da Escola de Aplicação, da instituição, depois de estabelecer uma alteração do horário de suas aulas. Os alunos da quinta série, que estudavam de manhã, passaram a freqüentar as aulas no período da tarde. As crianças tiveram uma melhora significativa em seu rendimento escolar, o que comprovou que o entendimento das aulas era pior durante as primeiras horas do dia.

Na fase adulta, o indivíduo volta a ter um sono mais regular, de oito horas consecutivas. Na terceira idade, por sua vez, há um retorno ao padrão polifásico do bebê e a pessoa acorda diversas vezes ao longo da noite, o que dá a impressão de que o idoso dorme menos. No entanto, os mais velhos tendem a cochilar várias vezes ao dia, para compensar o sono fragmentado do período noturno.

Se todos têm o mesmo ciclo biológico, por que acordar cedo é normal para alguns e não para outros? A explicação vem dos genes. As pessoas apresentam cronotipos diferentes, ou seja, algumas são do tipo matutino, com maior predisposição genética para realizar suas tarefas na parte da manhã, enquanto outras são vespertinas, os típicos "corujas", que trocam o dia pela noite. Além disso, segundo os pesquisadores da USP, a tendência matutina ou vespertina também pode estar ligada ao ciclo de temperatura corporal da pessoa. Os matutinos, por exemplo, atingem o pico alto de temperatura do corpo mais cedo do que os vespertinos.

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