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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  Diga adeus à alergia
Ontem, picadas de agulha. Hoje, gotinhas debaixo da língua. O tratamento com vacinas evoluiu e pode ser o alívio para boa parte dos 60 milhões de alérgicos no Brasil

POR JOSIANE GREGÓRIO
FOTO: SUSAN FINDLAY/MASTERFILE

FOTOS: DIVULGAÇÃOÉ preciso paciência
Antes de recorrer à imunoterapia, o paciente deve saber a qual substância (alérgeno) é alérgico. Para isso, são feitos testes cutâneo e sorológico. No método cutâneo, os alérgenos são introduzidos em regiões do antebraço ou das costas. A pessoa será considerada alérgica, caso ocorra uma reação local após 15 a 20 minutos. No teste sorológico, após exposição ao alérgeno, a quantidade de anticorpos é medida pelo laboratório. São detectados os anticorpos IgE específicos, produzidos em grande quantidade por pessoas alérgicas e responsáveis pela liberação de histamina (substância causadora dos sintomas da alergia).

Não vacinar quando...
... o candidato é uma criança menor de cinco anos. ... o paciente tiver asma não controlada. ... houver a presença de tumores malignos e doenças imunológicas (por conta da interferência no sistema imunológico). E na gestação?

Se a imunoterapia já foi iniciada, é aceitável mantê-la. Mas recomenda-se diminuir a dose.

O alérgeno é que irá ditar a composição da vacina. Elas são produzidas uma a uma, próprias para cada indivíduo, contendo os extratos que lhe provocam a alergia. A introdução desses extratos induz o corpo a produzir anticorpos que combatem o alérgeno. No início, em pequena quantidade, para não haver reação muito forte de defesa do organismo. “Conforme o paciente se torna mais resistente, a quantidade de alérgenos é aumentada, até a pessoa ficar quase imune à quantidade de alérgenos similar ao do meio ambiente”, explica Ruppert, do FDA Allergenic.

“O tratamento não é definitivo, embora seja difícil os sintomas voltarem. Se isso ocorrer, a imunoterapia pode ser reiniciada”, avisa Evandro Prado, da SBAI. Mas há contra-indicações (veja ao lado) e a aplicação é limitada. As vacinas são indicadas para pessoas sensíveis aos ácaros, pólens, pêlos de animais, fungos e venenos de insetos. Ainda não há efeitos satisfatórios em alergias a alimentos e substâncias químicas (perfumes, conservantes...).

A VACINAÇÃO EM CADA CASO
ASMA:
atinge de 10% a 15% da população brasileira. E cerca de 70% das vítimas têm histórico familiar da doença. Sibilância (assovio) e tosse são seus principais sintomas. O tratamento inclui basicamente reduzir a exposição a alérgenos. Pacientes que não podem controlar a limpeza do ambiente onde vivem podem se beneficiar com a imunoterapia, mas, segundo especialistas, ela não deve ser recomendada rotineiramente.

RINITE ALÉRGICA: a instalação dessa inflamação na mucosa nasal ocorre, em média, aos 10 anos e atinge 30% dos brasileiros. Uma vez estabelecida, persiste por anos. Entre os fatores de risco para o seu desenvolvimento estão a história familiar de alergia e a exposição a alérgenos de ambientes internos como pêlos de animais, pólen e poeira doméstica, além de odores, fumaça e fumo. Assim, medidas ambientais, como evitar a exposição aos alérgenos, devem ser combinadas com tratamento farmacológico. Os anti-histamínicos diminuem os espirros e o corrimento nasal. A imunoterapia é ótima opção contra a rinite persistente.

ALERGIA A INSETOS: chamada de estrófulo, afeta 4% da população mundial. “A freqüência dessa alergia varia de acordo com a região, sendo mais comum em locais com mais insetos”, explica Mario Cezar Pires, diretor do Serviço de Dermatologia do Complexo Hospitalar Padre Bento, em Guarulhos, Grande São Paulo. A imunoterapia é feita por via sublingual, por cerca de três meses. A alergia ao veneno de vespas e abelhas também responde bem a esse tratamento. O que é muito bom, considerando a gravidade dos efeitos alérgicos das ferroadas.

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