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Edição 89 | EXPEDIENTE
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  ...Caxumba
Considerada uma doença infantil, ela não perdoa jovens e adultos que não foram vacinados

1- Novas vítimas
É difícil saber quantas pessoas estão hoje com caxumba no país. Os casos da doença têm evolução benigna e não precisam ser notifi cados aos órgãos de saúde. O único estado do país que mantém os registros atualizados é São Paulo — tanto que foram computados, de janeiro a agosto deste ano, 191 doentes, na capital paulista e nas cidades de Campinas e Ribeirão Preto. Entre eles, estavam dezenas de adultos! Isso mesmo: adultos. Considerado um mal tipicamente infantil, esse processo infeccioso — que causa mal-estar e deixa o doente de “molho” por duas semanas — está sendo detectado também na fase adulta. A tendência acendeu um sinal de alerta e motivou a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo a fazer uma campanha de vacinação da tríplice viral, a única capaz de prevenir a caxumba e, de quebra, sarampo e rubéola.

2- Uma dose é insuficiente
A vacina tríplice viral começou a ser adotada na rede nacional de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1992, por meio de uma única dose injetável — recomendada para crianças com um ano de idade. Na época, verifi cou-se que 5% das crianças não tiveram uma boa resposta imunológica do organismo. A imunização perdia a efi cácia depois de um tempo.

Para solucionar essa defi ciência, a partir de 2004, uma segunda aplicação da vacina começou a ser recomendada em todo o país, em crianças de quatro a seis anos.

3- Quem deve tomar?
Jovens e adultos que nunca foram vacinados devem se dirigir a uma unidade de saúde mais próxima e receber uma única dose. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, responsável pela produção da vacina no Brasil, a tríplice viral só é contra-indicada para:
ILUSTRAÇÕES: BUSSADORI● mulheres grávidas;
● pessoas com câncer e tuberculose (sem tratamento);
● pacientes que estejam sendo submetidos a medicamentos com imunossupressores, como pessoas que fi zeram transplantes de órgãos.

4- Transmissão pelo ar
O agente causador da caxumba é o vírus Paramyxovirus, transmitido por gotículas de saliva que se disseminam no ar. A pessoa se infecta, portanto, pela respiração. A pediatra Helena Sato, coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, explica que a maioria dos pacientes infectados com o vírus nunca tomou a vacina ou, então, só se imunizou com a primeira dose. “Por isso, ao se registrar um surto (em geral nas creches, escolas ou em áreas com aglomeração de pessoas), a medida que adotamos é imunizar todos nesses locais que estejam nessa condição”, alerta a médica Helena.

ILUSTRAÇÕES: BUSSADORI

5- Ela pode ‘descer’
Nos homens, uma seqüela possível em 10% das vítimas é a orquite (infl amação dos testículos). “Mas ela não costuma causar esterilidade”, diz Helena Sato. Essa complicação gera um incômodo que dura até três dias — e só. Algumas mulheres desenvolvem ooforite (infl amação dos ovários). Apenas casos raros evoluem para a meningoencefalite, uma infl amação do sistema nervoso central, com febre alta, vômitos e sonolência. “Os sintomas duram três dias e o tratamento é igual ao da caxumba”, explica.

6- Isolamento impede contágio
ILUSTRAÇÕES: BUSSADORIAssim que os sintomas aparecem, a doença pode ser transmitida. “Por isso, é preciso isolar o paciente. O período de contágio dura até 22 dias”, esclarece Helena Sato. Não há tratamento específi co. “É necessário repouso.

E, nesse período, os médicos tratam somente os sintomas com remédios para combater a febre e analgésicos para a dor”, diza médica. Ao mesmo tempo, as pessoas que convivem com o paciente precisam ser vacinadas com a tríplice viral. “Duas semanas após a aplicação, a pessoa já estará imune”, garante Sato.

7- Outro vírus
Pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, descobriram recentemente um novo tipo de vírus causador da caxumba. O estudo foi feito com 14 amostras biológicas coletadas nos municípios de Atibaia, Campinas, Jundiaí e São Paulo, de dezembro de 2006 a maio de 2007. Segundo a análise, o novo agente não é mais perigoso e age como o Paramyxovirus, uma vez que a maioria dos infectados não havia tomado a vacina ou tinha recebido apenas uma dose quando crianças.



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