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Edição 105 | EXPEDIENTE |
Junte as exigências de estudos e de trabalho com a oferta de lazer e serviços 24 horas e você tem tudo para entrar nesta perigosa rotina POR DIÓGENES MENON FOTOS: CAIO MELLO PRODUÇÃO: ILKA BERENDT
Com Cynira W, 31 anos, é diferente. Ela usa o horário pós-trabalho, em torno das 21 horas, para ir às compras, papear com os amigos ou malhar na academia. Chega em casa ‘religiosamente’ à uma da madrugada. Toma um bom banho e vai para a cama com o notebook para responder e-mails, conversar com os ‘net amigos‘... Sim, ela dorme, mas sempre com o relógio apontando para as 2h30. Tudo estaria bem, se os dois entrevistados não precisassem chegar ao trabalho às 8 horas da manhã — o que significa acordar às 7, isto é, dormir cerca de cinco horas por noite. Na verdade, o que eles melhor fazem é engrossar as estatísticas de pessoas que exageram na privação do sono, ou seja, praticam a sonorexia, termo não oficial para definir o problema.
O que leva alguém a esse ponto, geralmente, é a sensação de não conseguir dar conta de tudo o que se quer ou precisa fazer nas 24 horas do dia. Aí, voluntariamente — sim, pois a sonorexia não é uma síndrome, mas um mau hábito com conseqüências diversas sobre a saúde — a pessoa se priva das horas de sono a que o seu organismo precisa e tem direito. "A PESSOA QUE SOFRE DE INSÔNIA SE ESFORÇA PARA DORMIR. NA SONOREXIA, O ESFORÇO É PARA SE MANTER MAIS HORAS ACORDADA" O problema pode até começar devido a uma real falta de tempo, mas tende a se tornar crônico quando a pessoa ‘descobre’ que dormir menos significa aproveitar mais o tempo. Isso pode chegar a ponto de dormir apenas duas ou três horas por noite — as baladas, os bares e os restaurantes estão lotados de ativos sonoréxicos.
Atrasando o cérebro “A rotina de dormir menos pode comprometer, por exemplo, a capacidade de julgamento do indivíduo sobre coisas simples como virar à esquerda ou à direita”, explica Flávio Aloe, neurologista e especialista em medicina do sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Algumas conseqüências da privação de sono são conhecidas e fáceis de perceber, como a sonolência diurna e reflexos menos rápidos e certeiros. “Mas outras ocorrem no processo de produção ou retenção de substâncias químicas que agem no cérebro, e a extensão de seus danos ainda não são conhecidas a fundo”, ilustra Aloe. Os efeitos podem ser ainda mais danosos no cérebro das crianças, especialmente quando estão em fase de estudo e aprendizado. PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
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