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Edição 105 | EXPEDIENTE |
Se você recorre aos remédios ao primeiro sinal de dor, deveria pensar duas vezes. Um analgésico, por exemplo, pode mascarar sintomas para um bom diagnóstico POR STELLA GALVÃO
De acordo com o anestesiologista Onofre Alves Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED), a resposta aos estímulos é individual e depende de como cada um reage emocionalmente a eles. A psicóloga Dirce Perissinotti, doutora em neurologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), concorda. Para ela, em 70% dos casos, a sensação dolorosa tem uma razão afetiva-emocional. “É o que chamamos de memória implícita da dor. O cérebro se habitua a responder por meio de dores a situações que não estejam necessariamente relacionadas a doenças ou agressões e alterações físicas”, explica Dirce. Um perfil típico é o da pessoa com dificuldades para lidar com suas frustrações e insatisfações. Conforme a psicóloga, a rigidez da musculatura, a tensão postural e uma irrigação sangüínea ineficaz, provocadas por estresse e pressões diárias, facilitam a resposta orgânica de que algo dói. Resistir ou atacar “Essa prática retarda o diagnóstico e, por conseqüência, o tratamento correto.” O contrário também ocorre. “Há pessoas que excedem os limites da resistência e se recusam a usar qualquer medicação, o que também é incorreto”, explica o neurocirurgião. CAUSAR UM INCÔMODO DANADO E ATÉ IRRITAÇÃO, MAS EM ALGUNS CASOS É SÓ UMA FORMA DE DEFESA CONTRA PRESSÕES EMOCIONAIS Na prática, é como se algumas pessoas incorporassem um típico chorão que toma um comprimido ao primeiro sinal de dor; outros, ao contrário, se comportam como verdadeiros már tires, sofrendo com se renidade. A DOR É A PRINCIPAL CAUSA DE FALTA AO TRABALHO E À ESCOLA, DE LICENÇA MÉDICA E APOSENTADORIA POR DOENÇA, DE ACORDO COM ESTIMATIVAS DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DA DOR (SBED) Se a comparação extrapolar para diferenças culturais, um exemplo clássico de resistência à dor vem do povo japonês. Já os latinos, brasileiros incluídos, tradicionalmente falam e se queixam mais. Muito além do remédio Ninguém melhor do que o portador de dor crônica (como é considerado aquele que sofre com um incômodo por mais de três meses seguidos) para concordar com a necessidade de uma intervenção ampla — que vai além do uso de analgésicos ou antiinflamatórios. Especialmente quando as dores constantes acabam afetando de vez o tecido nervoso e a pessoa passa a ter de lidar com o incômodo até o final da vida. Neste caso, as técnicas de relaxamento podem ajudar muito o paciente a conviver melhor com a dor. Já a psicoterapia cognitivo-comportamental seria capaz de mudar o comportamento do paciente crônico, melhorando a relação dele com o sintoma.
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