|
||||||
![]() |
|
Edição 105 | EXPEDIENTE |
Dificuldade de leitura e escrita, que atinge 5% a 17% da população mundial e pode ser confundida com desatenção, requer tratamento especializado POR SUCENA SHKRADA RESH e ILUSTRAÇÃO: MG STUDIO
VOCÊ SABIA QUE TOM CRUISE É DISLÉXICO? E QUE LEONARDO DA VINCI, WALT DISNEY E AGATHA CHRISTIE, ENTRE OUTROS FAMOSOS, TAMBÉM TINHAM O DISTÚRBIO? Diagnóstico e tratamento precoces podem transformar um disléxico num profissional brilhante na fase adulta. Afinal, a dislexia é uma dificuldade que pode ser vencida com tratamento. "É um problema crônico, mas se houver atendimento adequado, a criança não terá seu desenvolvimento prejudicado e poderá se tornar um profissional de sucesso", explica o foniatra Alfredo Tabith Júnior, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Derdic/PUC). Para a psicóloga Maria Mônica Bianchini, da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), as dificuldades impostas pela pressão e a falta de oportunidade na fase adulta afetam a empregabilidade e os relacionamentos em geral. Estimular a capacidade do cérebro de relacionar as letras aos sons que as representam e, posteriormente, ao significado das palavras que elas formam, são algumas das terapias utilizadas Trocando as letras Diagnóstico preciso Normalmente, a avaliação é indicada a partir dos 7 anos de idade. Mas é muito comum, no caso de histórico familiar, iniciar o acompanhamento numa fase anterior. "Ao ser diagnosticada, é possível amenizar em até 80% os comprometimentos por meio de terapias. Neste período, o cérebro vai sofrer um treinamento para se adaptar", afirma Bianchini. Apesar de não existir uma divisão instituída cientificamente de graus de comprometimento, a dislexia pode ser definida como leve, média ou severa. Segundo Bianchini, a leve se reflete principalmente na dificuldade de interpretação durante a leitura. Já a média pode ser observada principalmente na fase dos 10 aos 12 anos, idade em que a criança troca as letras e omite sílabas na escrita. E a severa, quando após dois anos de alfabetização, a criança não escreve e nem lê. QI acima da média Uma pesquisa da fonoaudióloga e psicopedagoga Maria Ângela Nogueira Nico, coordenadora técnica e cientifica da ABD, baseada numa amostragem com 230 disléxicos severos, de 7 a 19 anos, atendidos pela entidade em 2006, mostra que todos têm nível de Coeficiente de Inteligência (QI) acima da média; apresentam dificuldade na memória verbal e de curto e longo prazos, assim como nas provas de leitura, escrita, ditado e cópia e na decodificação de letra e som, na organização e processamento visual; apresentam disgrafia (conhecida por letra feia) e disnomia (dificuldade de nomear objetos); 85% sofre de algum tipo de alergia; 70% tem o fator de hereditariedade presente e 40% é hiperativo. PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
|
![]()
|
|||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||
|
||||||||||