Da uva fez-se o vinho...
...e foi para a mesa um dos segredos de saúde mais festejados pelo homem
POR GLÁUCIA PADILHA E BRUNO ATHAYDE
O suco dos sucos!
Estudos recentes mostram que o suco de uva é tão bom quanto o vinho para o coração. Os benefícios podem estar no suco concentrado da fruta ou na própria fruta. Pesquisa divulgada num congresso em Bordeaux, na França, em outubro deste ano, com o suco da uva do tipo Concord, mostrou que a bebida provoca um relaxamento das artérias de maneira similar ao causado pelo vinho tinto.
Valerie Schini-Kerth e um grupo de pesquisadores da Universidade Louis Pasteur de Estrasburgo, na França, comprovaram que o efeito benéfico do suco dessa uva durou mais que seis horas, coisa não ocorrida com o vinho tinto. A pesquisa também mostrou que são os componentes da uva, e não o álcool, os responsáveis pelos benefícios. Segundo eles, o suco da uva é que estimulou a produção de óxido nítrico nas células endoteliais, causando um efeito de vaso-dilatação e, conseqüentemente, a diminuição da pressão sangüínea.
Wilson Rondó Jr., especialista em Medicina Ortomolecular, recomenda a ingestão de um cálice de vinho ou de suco de uva antes das refeições (almoço e jantar) por outra razão. “Se você for comer um prato de macarronada, a ingestão do vinho em conjunto irá facilitar a digestão.”
Além disso, Rondó Jr. lembra que “o vinho é um ótimo relaxante. Mas é preciso evitar o consumo exagerado, pois ocorrerá o processo inverso. Neste caso, a bebida fará mal, afetando fígado e outros sistemas do corpo”.
Vinho ou suco? Pesquisa aprova os dois
Pesquisa publicada em 2005 com pacientes do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade, de São Paulo, avaliou 16 pacientes com altas taxas de colesterol ruim (LDL). Eles foram divididos em dois grupos. Um tomou o vinho, o outro, o suco. Durante um período, os dois grupos ficaram sem ingerir nenhuma das duas bebidas. Silmara Regina Coimbra, doutora em cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP e médica assistente do InCor e autora da pesquisa, diz que nos dois grupos a camada interna que reveste os vasos sangüíneos (endotélio), que apresentava disfunção devido ao colesterol ruim, voltou ao normal.
Na dieta foi adotado 250 ml de vinho tinto por dia, metade no almoço e metade no jantar, e 500 ml de suco da fruta vermelha, também no almoço e no jantar. A pesquisa usou dosagens menores de vinho porque, por ser produto de uma fermentação prolongada e conter etanol, ele absorve mais o resveratrol e os outros polifenóis.
Futuramente, com o avanço das pesquisas, estas moléculas, encontradas principalmente na casca e nas sementes das uvas, poderão ser sintetizadas e utilizadas como medicamentos preventivos de doenças degenerativas.
Estudos comprovaram que a ingestão moderada de vinho tinho e de suco de uva concentrado funcionam como proteção contra disfunções neurológicas, efeito antiinfl amatório e imunológico., entre outros.
O paradoxo que elegeu o vinho
Por mais paradoxo que pareça, o vinho como valor terapêutico vira e mexe se transforma em notícia. Mas o tema não é novo. O mais importante estudo sobre os efeitos benéficos do vinho para a saúde cardiovascular foi feito há mais de duas décadas por médicos da Europa e Estados Unidos, e conhecido como o paradoxo francês. Todos sabem que a culinária francesa, famosa em todo o mundo, sempre foi generosa no uso da manteiga, creme de leite, queijos e carne. Mas, apesar disso, os franceses apresentavam baixos índices de doenças coronarianas. Após uma série de pesquisas, concluíram que um dos motivos estava na ‘compensação’ trazida pelo vinho tinto, sempre presente nas refeições dos franceses.
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