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Edição 89 | EXPEDIENTE
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  Agulhadas no ponto certo
A acupuntura tem se mostrado eficaz no tratamento e alívio dos sintomas de diversas doenças crônicas contemporâneas, como a apnéia do sono, e até na redução dos efeitos colaterais da quimioterapia. Mas atenção: antes de experimentá-la, conheça alguns riscos que a técnica pode trazer à saúde

POR ÉRIKA FINATI

As possibilidades de tratamento com a acupuntura parecem não ter limites. A prática chinesa é, de fato, surpreendente. As últimas descobertas nesse campo indicam que a aplicação das agulhas traz benefícios no tratamento da apnéia do sono e na quimioterapia, além de diminuir as seqüelas provocadas por derrame cerebral. Embora temidas por algumas pessoas, as agulhadas não provocam dor e ainda têm como vantagens não causar efeitos colaterais e produzir uma melhora geral do organismo. Mas é fundamental que essa terapêutica seja realizada por profissional que conheça bem o corpo humano. Por tudo isso, essa técnica milenar vale a pena.

Entretanto, é importante esclarecer que a acupuntura pode, em alguns casos, ser prejudicial à saúde. Muitas pessoas acreditam que a prática é um procedimento ‘natural’ e ‘inofensivo’, já que ajuda a estabelecer o equilíbrio energético do corpo, ao estimular, com agulhas, raio laser ou eletroacupuntura, pontos anatomicamente definidos. É importante ter em mente que essa técnica é um procedimento invasivo, podendo, portanto, oferecer riscos ao paciente. “Não há estatísticas de efeitos adversos causados por ela. Somente ocorrências isoladas. Mas podem existir casos não registrados”, ressalta Ysao Yamamura, médico acupunturista, chefe do setor de medicina chinesa e acupuntura da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Escolha do profissional
Para diminuir a possibilidade de efeitos adversos, o paciente deve ser tratado por um médico. “É preciso dar preferência a um profissional que seja formado também em medicina, o que faz com que ele conheça a anatomia humana, e assim os riscos fiquem minimizados”, alerta o médico acupunturista Wu Tu Hsing, diretor do centro de acupuntura do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Reduz a apnéia
A acupuntura está revolucionando o tratamento da apnéia – interrupções do sono por paradas respiratórias freqüentes, que nos casos mais graves podem chegar a 100 eventos por hora. A médica Anaflávia de Oliveira Freire, especialista em acupuntura e medicina chinesa pela Unifesp, estudou a apnéia e já tratou cerca de 100 pacientes com a doença. Ela garante: “Houve melhora de 80% em quem recebeu o tratamento. Mais de 50% das pessoas com apnéia moderada ou um pouco grave, e não obesas, melhoraram o ronco e a apnéia”.

Ela ressalta que o tratamento do ronco é fundamental para a prevenção da apnéia: “o ronco leva à lesão da musculatura faringeana. Isso faz com que, a longo prazo, a musculatura fique muito fraca, a ponto de não conseguir segurar a garganta, o que provoca a apnéia”. A acupuntura trata o ronco estimulando regiões como a musculatura da garganta, da face, do queixo e pontos do abdome. A quantidade de sessões para esse tipo de tratamento varia de acordo com a gravidade do caso. A recomendação é de dez sessões iniciais.

“A apnéia começou a receber atenção dos estudiosos a partir dos anos 80, com o surgimento da medicina do sono, e ganhou força na década seguinte como a polissonografia, exame que faz a leitura do sono” diz Anaflávia. Desde então, estudos mostraram que muitos acidentes ocorrem por causa da doença. Motoristas e operadores de máquinas nas indústrias estão entre as vítimas mais graves. “Como a apnéia prejudica a qualidade do sono, esses trabalhadores não descansam o suficiente. Quando estão trabalhando, sentem sonolência e acabam se acidentando, às vezes de forma fatal”, revela. Além disso, a apnéia causa danos cardiovasculares como pressão alta e arritmia.

Alívio à quimioterapia
Embora a acupuntura não cure o câncer, pode contribuir com o tratamento da doença na forma de terapia auxiliar. “Ela ajuda a diminuir a dor oncológica e alguns efeitos colaterais causados pela quimioterapia, como náuseas, vômitos, diarréia e pruridos. Pessoas com qualquer tipo de câncer podem receber o tratamento. Os pontos estimulados ficam no braço, no abdome próximo ao estômago, no punho e no joelho”, diz o acupunturista Wu Tu Ching, médico assistente do setor de cirurgia pélvica do Hospital do Câncer A. C. Camargo, em São Paulo. Em sua tese de doutorado pela FMUSP ele estudou o valor da acupuntura no controle de náuseas e vômitos decorrentes de quimioterapia. “O tratamento é realizado na primeira semana que o paciente recebe a quimioterapia porque esse é o período em que ele sente mais náuseas e vômitos”.

Mobilidade pós-AVC
A outra boa nova é que a acupuntura está ajudando também na recuperação de pacientes que tiveram acidente vascular cerebral (AVC). O médico Wu Tu Hsing estudou, em sua tese de doutorado pela FMUSP, os efeitos da técnica na diminuição de seqüelas decorrentes do AVC e obteve resultados animadores. “Cerca de 20% dos movimentos corporais, em seqüelas parcialmente crônicas, retornam quando o paciente faz o tratamento com acupuntura”, afirma Hsing. Os portadores de AVC tratados com essa prática melhoram as funções motoras e o equilíbrio. A técnica utilizada, chamada escalpeana, consiste na colocação de agulhas em pontos do couro cabeludo. São realizadas dez sessões, de uma a duas vezes por semana.

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