Mistura Arriscada Atenção. Uma simples ida à farmácia para comprar remédios que prometem acabar com aquela 'dorzinha' chata pode provocar uma séria intoxicação e até levar à morte. Saiba como evitar as misturas erradas entre os fármacos mais comuns para proteger a sua saúde
POR AGUINALDO PETTINATI
Cuidado com os mais comuns
* Antiinflamatórios e aspirinas
O uso prolongado dos antiinflamatórios não-hormonais provoca sangramentos intestinais, úlceras e gastrite. Com a combinação de antidepressivo, é liberada serotonina (neurotransmissor que provoca a sensação de bem-estar e sua falta pode levar a pessoa à depressão, por exemplo) e há aumento na chance do sangramento gastrointestinal. “Dipirona e aspirina podem provocar a diminuição de glóbulos vermelhos, plaquetas e glóbulos brancos”, alerta Monteiro da Silva. De acordo com o médico, o uso de aspirina uma vez ou outra não causa danos à saúde, mas o consumo contínuo pode mascarar uma doença grave e postergar o diagnóstico.

INTOXICAÇÕES TAMBÉM OCORREM
COM MEDICAMENTOS DE VENDA LIVRE COMO ASPIRINAS
* Antibióticos, antiácidos e anticoncepcionais
A ingestão de antibióticos também requer cautela. “Para os processos virais não são usados antibióticos. Não pense que qualquer febre já é um sinal de infecção. Além dos efeitos colaterais, o organismo cria resistência aos remédios e as infecções ficam mais fortes”, avisa Monteiro da Silva. Até antiácidos que contêm alumínio, magnésio e cálcio, quando associados a antibióticos (tetraciclinas) têm seus efeitos reduzidos. Antibióticos ou antifúngicos de via oral associados a remédios para colesterol no sangue eleva o risco de danos nos rins. “Uma dica é repetir o uso do mesmo antibiótico apenas com indicação do médico”, diz o especialista. Os antibióticos influem até no funcionamento dos anticoncepcionais orais porque aceleram o metabolismo hepático, reduzindo as concentrações hormonais, e levam à perda de eficácia das pílulas.
* Antiinflamatório, antidepressivos e coração
Os antiinflamatórios atuam sobre os rins e diminuem a quantidade de líquido no organismo. “A retenção de líquido e sal no organismo pode ser fatal para quem sofre do coração. Gera o aumento da pressão arterial”, adverte Monteiro da Silva. A mesma situação se dá com quem tem problemas cardíacos e usam antidepressivos.
Em caso de gripe, o toxicologista Grassi alerta para o consumo de uma possível superdosagem. “Ingerir um antigripal e um analgésico pode causar problemas porque ambos contêm paracetamol. Assim, há risco de superdosagem e intoxicação”, avalia. Na gripe, o médico recomenda: “Calmantes e remédios para dormir misturados com antigripais e antialérgicos têm os efeitos dos depressores potencializados”.
* Gotinhas perigosas
Atenção na hora de misturar colírios com os desentupidores nasais. “Ambos possuem o princípio ativo (nafazolina) e agem como vasoconstritores para diminuir a vermelhidão dos olhos e combater a obstrução nasal. Em crianças isso pode ser fatal”, aponta o toxicologista Grassi. A medicação age no sistema circulatório, contraindo as veias e obrigando o coração a bater mais rápido para bombear o sangue a outras partes do corpo, fazendo com que os vasos vermelhos desapareçam. Por isso, nunca se deve usar nenhum desses remédios sem antes consultar um médico. Em levantamento no Hospital das Clínicas de São Paulo, 40% dos pacientes com problemas nos olhos usaram fórmulas caseiras antes de procurar o médico – água com sal ou açúcar, flores e até leite materno.
O uso indiscriminado dos descongestionantes nasais causaria taquicardia e hipertensão arterial, além de desenvolver doenças cardíacas ou rinite medicamentosa. Pessoas com hipertensão severa, retenção urinária, pacientes que usam antidepressivos ou têm glaucoma devem evitar o uso. Combinar remédio para enjôo e descongestionante nasal pode elevar a freqüência cardíaca e gerar parada.
SUA SEGURANÇA
A SEIS PASSOS
1 – Informe ao seu médico todos os medicamentos que está tomando. Inclua na lista vitaminas, suplementos e ervas.
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| 2 – A qualquer nova prescrição, verifique se continuará ou não consumindo os medicamentos anteriores. Leia a bula dos remédios para se prevenir. |
| 3 – Caso sinta qualquer sintoma inesperado, consulte o médico. Dores de cabeça ou erupções na pele indicam uma interação. |
| 4 – Nas crianças, o metabolismo só se completa em torno dos sete anos. Por isso, não basta reduzir as doses dos adultos para as crianças. Nesse caso, só o médico é capaz de determinar a medicação e dosagens corretas. |
| 5 – Nos idosos, o metabolismo e a função renal estão diminuídos, sendo necessário reduzir a dosagem ou aumentar o intervalo entre as doses. |
| 6 - Não parta cápsulas ao meio porque elas são projetadas para passar pelo estômago e agir só no intestino. O ph ácido da região estomacal leva à perda da eficácia do medicamento. O mesmo acontece quando colocamos o comprimido embaixo da língua. |
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