Mistura Arriscada Atenção. Uma simples ida à farmácia para comprar remédios que prometem acabar com aquela 'dorzinha' chata pode provocar uma séria intoxicação e até levar à morte. Saiba como evitar as misturas erradas entre os fármacos mais comuns para proteger a sua saúde
POR AGUINALDO PETTINATI
ATENÇÃO AOS FITOTERÁPICOS
Remédios naturais não são placebo, como muitos acreditam, pois possuem princípio ativo e geram a interação. “Precisam ser receitados por um médico, mas muitas vezes são adquiridos como se não fizessem mal à saúde”, aponta o toxicologista Sérgio Grassi. “A fitomedicina pode sim influenciar negativamente no tratamento alopático. Erva-de-são-joão, por exemplo, diminui de 30% a 40% do efeito dos remédios contra a aids”, explica o médico Anthony Wong. “O passiflora, uma espécie de trepadeira, cujo fruto é o maracujá, associado a diazepínicos, tranqüilizantes e hipnóticos, aprofunda o sono”. A matemática das combinações é tão complexa que até a alimentação influencia em certas medicações. “O leite diminui a absorção de antibiótico”, revela Wong.
* Corticóides
Os corticóides controlam a alergia ao inibir a ação do sistema imunológico do paciente. “Por isso alguns medicamentos exigem prescrição médica, mas outros antialérgicos, não”, afirma Grassi. O uso indiscriminado de corticóides pode gerar a síndrome de Cushing, cujas características são o rosto arredondado, tendência à obesidade e retenção de líquidos. O indivíduo também está propício a desenvolver hipertensão, fraqueza, depressão, acne, excesso e crescimento de pêlos. E infecções por fungo ou bactérias agravam-se com a superingestão de corticóide porque eles inibem as defesas do organismo.
* Glaucoma
“Colírios antibióticos desequilibram a flora normal da superfície ocular, predispondo ao aparecimento de infecções graves com microrganismos resistentes. O uso de corticosteróides pode desencadear catarata e glaucoma. Os colírios anestésicos lesam a córnea, desencadeando úlceras e inflamações”, alerta Denise de Freitas, médica do departamento de Oftalmologia da Unifesp.
Pingar soluções caseiras como água com sal ou açúcar, segundo a médica, agrava o quadro, não somente por adiar o tratamento correto, mas porque transmite uma infecção ou gera queimadura nos olhos. “Um paciente que pingava limão nos olhos contra conjuntivite precisou de transplante de córnea. Vários outros chegam ao meu consultório praticamente cegos, por uso inadvertido de colírios”. PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3
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