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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  Você tem fome de quê?
Sentir aquela vontade louca de comer uma guloseima pode ser um sinal da síndrome da fome oculta. Para não sofrer com esse desequilíbrio nutricional, saiba quais alimentos não podem faltar na sua dieta

por Bruna Pellegrini e Gustavo Xavier

Aposte nos pratos coloridos

Para manter uma dieta rica que atue no bom funcionamento do organismo, nada melhor do que ter uma alimentação bem colorida. Os nutrientes contidos nos alimentos é que definem suas cores. Portanto, quanto mais seus pratos se parecerem com quadros artísticos, maior será a garantia de que estará ingerindo uma paleta completa de elementos necessários para a boa saúde.

Mariana Del Bianco, responsável pela divisão de nutrição da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), aconselha a famosa pirâmide alimentar. Assim, a base deve ser de carboidrato integral. Na seqüência, deve-se consumir mais verduras, legumes e frutas; depois, proteínas; e, por último, os doces e alimentos hipercalóricos. “Muitas vezes, a pessoa que sofre de síndrome da fome oculta sem saber faz a pirâmide ao contrário”, relata Mariana.

Esconde-esconde no diagnóstico

Detectar a síndrome da fome oculta não é muito fácil. Embora o diagnóstico não seja recente, pois vem desde a década de 1960, o fato de normalmente não apresentar sintomas visíveis dificulta sua percepção.

Queda de cabelos, infecções vaginais, dores nas pernas, podem ser sintomas da síndrome. Mas também podem estar associados a outras causas. Nem os exames de sangue podem fornecer dados mais significativos a esse respeito. Segundo a nutróloga Selma Freire, num hemograma só é possível saber a deficiência de ferro, mas o exame não revela nada sobre os demais nutrientes.

Assim, os sintomas secundários podem, muitas vezes, indicar o desenvolvimento da fome oculta. “Uma pessoa que desenvolve pneumonia aguda de difícil tratamento, por exemplo, quando se analisa as causas do problema, descobre-se que tem essa deficiência de nutrientes”, exemplifica Selma.

A análise da alimentação é, de acordo com a nutróloga, o meio mais efetivo de se pré-diagnosticar o problema. “Existem vários métodos, mas a análise de três dias da alimentação durante uma semana e de um dia do fim de semana é eficiente para avaliar a quantidade de micronutrientes que o paciente consome”, resume.

O risco da obesidade desnutrida

Numa época de difusão global de hábitos, para o bem e para o mal, duas disfunções caminham com muitas coisas em comum. Tanto a obesidade quanto a síndrome da fome oculta estão relacionadas a modos inadequados de se alimentar. É curioso que uma síndrome relacionada à carência de nutrientes possa ter alguma relação direta com a obesidade. Mas, eventualmente, pode ter.

Considerando-se que as pessoas têm consumido cada vez mais produtos gordurosos e com alta taxa de açúcares, aliada à diminuição da ingestão de frutas, legumes e verduras, sem falar na falta de exercícios físicos, a obesidade passa a tornar-se uma doença crônica.

Acontece que alguns dos hábitos que contribuem para desenvolver obesidade também podem originar a síndrome da fome oculta. Comer rapidamente, mastigar mal, escolher uma combinação de alimentos hipercalórica e pobremente variada são todas elas atitudes que tanto ocasionam uma como a outra. “É quando surge a obesidade desnutrida”, relata Patrícia Jaime Salim.

Além disso, a falta de nutrientes pode ser mais um fator que dificulte o correto metabolismo e tenha, como um de seus efeitos, o reforço dos fatores que desenvolvem a obesidade. “A obesidade não causa síndrome da fome oculta. Nem mesmo a síndrome da fome oculta é um fator exclusivo para a obesidade. O que pode acontecer é que a falta dos nutrientes agrava um quadro comportamental psicológico e, às vezes, metabólico, que leva à obesidade”, detalha Mariana Del Bianco, da Abeso.

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