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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  Escute bem e sempre
A música e os mais diversos ruídos fazem parte da vida, mas, quando passam do volume permitido, afetam sua saúde. Saiba como se proteger e alertar do perigo crianças e adolescentes que adoram curtir um som nas alturas

Por Janete Tir

Em qualquer lugar do mundo, o resultado da equação é sempre o mesmo: jovem + música = som ao máximo. Isso não é nenhuma novidade, pois há décadas o principal desentendimento dentro de uma casa com adolescentes é o alto volume que sai das caixas de som. Até que, para descanso dos pais, surgiu o fone de ouvido, depois os walkmen, mais tarde os discmen. Hoje, a febre continua com os pequenos e superpotentes MP3 e MP4. Assim, a tecnologia trouxe os tão desejados decibéis a mais, só que, de carona com quem abusa do volume por um longo período, veio a perda de audição.

Uma pesquisa feita pela Universidade do Colorado e pelo Children’s Hospital, nos EUA, mostrou que o limite seguro para quem quer ouvir música o dia inteiro é não passar de 50% da capacidade dos aparelhos. Para aqueles que gostam de som alto e não querem ter problemas, é possível subir a 70% do volume máximo por apenas quatro horas e meia ao dia. Um aumento para 80% do total reduz o prazer em ouvir músicas a somente 90 minutos diários para não causar danos à saúde.

Fones: usar ou não?
Outro estudo norte-americano, desta vez feito pela Universidade Northwestern, aponta para outro vilão: os fones de ouvido. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que os mais nocivos são aqueles que se encaixam dentro do ouvido (apenas como curiosidade, na nova terminologia anatômica, “ouvido” foi substituído por “orelha”). Tudo porque a posição interna aumenta a intensidade final do som em até 9 decibéis, além de causar infecções com o uso de fones compartilhados ou sujos. Segundo os especialistas, a melhor maneira de controlar o volume ideal é poder ouvir alguém conversando mesmo com o aparelho ligado.

O otorrinolaringologista Luciano Rodrigues Neves, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que “o ouvido não escuta nada, quem escuta é o cérebro. O ouvido recebe e transforma as ondas mecânicas do som em impulsos elétricos, que são enviados ao cérebro. Se o som estiver muito alto, o cérebro dá uma modulada e a pessoa se acostuma e se adapta a isso. Agora o impacto da onda sonora no ouvido interno pode variar de intensidade e, dependendo do tempo de exposição, causar problemas a longo prazo”.


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