Café sem culpa Novas pesquisas garantem: o café sai do papel de vilão para encarar um mocinho aliado da sua saúde. Mas antes de brindar a notícia, encontre a medida que pode beneficiar o seu organismo
POR GUSTAVO XAVIER
SAIBA MAIS SOBRE O GRÃO
1 A cafeína já foi considerada doping no esporte. Hoje em dia, a Agência Mundial Antidoping permite seu uso. Nos treinos e competições, a capacidade estimulante da cafeína é aproveitada pelos atletas, que a ingerem por meio de cápsulas ou produtos como energéticos.
2 A cafeína causa dilatação dos vasos cerebrais, aumentando o fluxo de sangue para a região. É por isso que muitos medicamentos para dor de cabeça são administrados em associação com a cafeína, pois assim o remédio é levado em quantidades maiores apara o cérebro.
3 A quantidade letal de cafeína para um adulto de 70 kg é de 10 g. Isso equivale a cerca de 100 xícaras de café, 200 latas de Coca-cola, 125 copos de chá ou 50 kg de chocolate. Como é impensável que um ser humano consuma de uma só vez essas quantidades, deduz-se que as intoxicações por cafeína ocorrem por via de medicamentos e não de alimentação.
FONTE: RICARDO BORGES, NUTRÓLOGO E COORDENADOR DO CENTRO DE NUTROLOGIA E NUTRIÇÃO CLÍNICA DE RIBEIRÃO PRETO
Efeitos amargos
Se a cafeína pode ter um papel positivo em algumas situações, em outras há algumas restrições. Para quem tem problemas de refluxo gastroesofágico, é bom diminuir as doses. Isso porque entre o esôfago e o estômago existe um esfincter que se fecha e se abre para a passagem de alimentos. Mas a cafeína pode alterar a ação desse esfincter, facilitando a volta do conteúdo do estômago para o esôfago.
Gastrite é outro problema que exige redução de cafeína, pois esta pode se tornar um fator de irritação da mucosa do estômago.
Também há indícios de que a cafeína dificulte a absorção de cálcio pelo organismo. Mais do que isso, ela estimula a excreção de cálcio pela urina, o que causa a retirada do mineral presente nos ossos, enfraquecendo-os. No caso de mulheres na menopausa, a restrição de consumo serve justamente para prevenir a osteoporose.

QUANTAS XÍCARAS POR DIA?
O limite apropriado para a saúde é condicionado, sobretudo, pela presença da cafeína. Com pequenas variações, os médicos e nutricionistas costumam indicar uma dose máxima de cafeína que fique entre 300 mg e 500 mg por dia.
Isso corresponde a uma quantidade que vai de 3 a 5 xícaras de café. “Mas isso significa não consumir nenhum outro alimento que contenha cafeína como refrigerantes de cola; alguns chás, como o mate, o preto e o verde; e bebidas energéticas”, alerta o nutrólogo Ricardo Borges. |
Atenção, cardíacos!
As restrições se estendem a quem tem problemas cardiovasculares. Segundo Borges, a capacidade estimulante da cafeína tem influência sobre o aumento da freqüência cardíaca. Também há alterações na pressão arterial em algumas pessoas nos instantes seguintes à ingestão de uma xícara de café. Estudos nesse sentido, como o da Universidade John Hopkins, verificaram que, ao longo de anos, existe uma pequena elevação no nível de pressão arterial entre os que mantêm o hábito de tomar café diariamente.
Todos esses dados variam de pessoa para pessoa, demonstrando que, tanto há os que respondem à cafeína com tais efeitos, quanto outros que parecem desenvolver ou já possuir certa tolerância à ingestão de produtos com cafeína, sem necessariamente sofrerem nenhuma mudança nos seus níveis de pressão arterial.
Colesterol no coador
Duas substâncias presentes no café aumentam os níveis de colesterol. São o cafestol e o kahweol. Essas duas gorduras, no entanto, ficam retidas no coador. Tanto faz se for de pano ou de papel. Mas é importante ficar atento às formas de preparo que não utilizam o coador, como é o caso do café expresso, italiano ou turco. O excesso de consumo pode influenciar diretamente a elevação do colesterol.
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