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Edição 105 | EXPEDIENTE |
A exposição constante à poluição proveniente dos combustíveis é porta de entrada a doenças crônicas cardíacas e pulmonares. Especialistas alertam sobre os agentes causadores e ensinam formas de proteger crianças e idosos POR SUCENA SHKRADA RESK ILUSTRAÇÃO: REGISCLEI
Quando chega o inverno, o alerta às chamadas doenças “inflamatórias” e respiratórias é acionado. Não é incomum termos, nessa estação, aquela sensação de ardência e vermelhidão nos olhos, coceira na garganta e no nariz, e, para completar, um pigarro, semelhante a uma “cosquinha”. Hoje, os especialistas têm absoluta certeza de que a maioria desses sintomas está relacionada direta ou indiretamente à poluição atmosférica. E a população mais atingida são crianças e idosos, porque têm a imunidade mais reduzida. Geralmente esses quadros “agudos” estão relacionados a conjuntivites, rinites, alveolites (inflamação dos alvéolos pulmonares), bronquites e faringites. O perigo está na reincidência, que pode gerar falta de ar severa ou infecções, sendo uma das mais graves a pneumonia. “A poluição geralmente está agregada a outras causas dessas doenças. No caso da bronquite crônica, o principal causador é o tabagismo”, diz Chin An Lin, professor colaborador do departamento de Clínica Médica, da disciplina de Clínica Geral e Propedêutica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O cigarro é considerado por muitos especialistas um agente poluente. Quem vive nas grandes cidades Segundo o especialista, a exposição, por décadas, aos agentes poluidores provenientes principalmente dos combustíveis é a porta de entrada a doenças crônicas cardíacas e pulmonares. “Em muitas situações, causam arritmias, infartos e derrames, e também bronquites e enfisemas pulmonares”, diz. De uma maneira simplificada, com a absorção dos gases nocivos, o transporte de oxigênio, pela hemoglobina, no nosso sangue é prejudicado. Daí, o coração tem de trabalhar em dobro. A poluição tem a capacidade de acarretar mais danos, como “o engrossamento dos vasos sanguíneos”, gerando obstruções e contrações, que podem ser fatais. Outros efeitos estão relacionados às chamadas doenças preexistentes. “A exposição contínua aos poluentes atmosféricos dificulta o controle do diabetes e da pressão arterial”, explica Santos.
fonte: professor chin an lin, da fmusp “Já constatamos, por meio de pesquisas realizadas desde 2000, que, na época de inverno, aumentam casos de arritmia cardíaca de 10% a 15%, no pronto-socorro do Incor”, afirma o pneumologista. Já Lin, em pesquisa realizada há dez anos, no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (HC/FMUSP), constatou que a entrada de pacientes com doenças respiratórias, em dias mais poluídos, aumentava de 20% a 25%.
A atmosfera, por sua vez, é formada por gases (oxigênio, nitrogênio e vapor d’água), que não são considerados poluentes. “O restante dos gases, de uma maneira geral, é resultado de combustão (um processo pelo qual um combustível se combina com o oxigênio, produzindo calor e luz) que contamina o meio ambiente”, esclarece. De acordo com Lin, os hidrocarbonetos presentes nos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) são os agentes poluidores mais prejudiciais e potencialmente cancerígenos. Na lista dos gases que comprometem nossa saúde estão o monóxido de carbono, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e ozônio (mais próximo da Terra). PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
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