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Edição 105 | EXPEDIENTE
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  ...Diabetes tipo 2
O excesso de glicose no sangue afeta a qualidade de vida do paciente. Mas, com algumas mudanças de comportamento, é possível evitar complicações crônicas na visão, nas pernas e nos rins

por rose mercatelli

1- A doença em números
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, existem mais de 214 milhões de portadores de diabetes em todo o mundo. A cada 5 segundos, uma pessoa descobre que tem a doença metabólica caracterizada pelo excesso de glicose no sangue. No Brasil, com aproximadamente 12 milhões de diabéticos, esse número é de uma nova descoberta a cada 2 minutos e 18 segundos. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, o aumento do número de casos se revela cada vez maior. E as estimativas sobre as mortes provocadas pela doença são alarmantes. Ao total, são 3,2 milhões de falecimentos em decorrência do problema. A cada ano, há 1 milhão de amputações pela falta de tratamento.

Especialistas acreditam que o diabetes tipo 2 tornou-se uma epidemia por fatores como maior envelhecimento da população mundial, aumento dos índices de obesidade e de um estilo de vida sedentário.

2- Tipos bem diferentes
Ao contrário do que muitos pensam, os dois tipos da doença são bastante distintos entre si. A diferença de base está na origem de cada uma.

O diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, isto é, o sistema de defesa se volta contra o próprio indivíduo, produzindo anticorpos que, por sua vez, vão destruir as células do pâncreas que produzem insulina. Isso acontece porque o organismo se "engana" e encara as células pancreáticas como inimigas que devem ser destruídas. Daí, quando o pâncreas pára de produzir insulina ou a fabrica em baixíssima quantidade, surge a doença, e o paciente precisa tomar injeções diárias do hormônio para controlar o nível de açúcar. Somente 5% a 10% dos pacientes com diabetes possuem a doença do tipo 1, a qual se desenvolve mais comumente na infância ou na adolescência e não está associada ao ganho de peso.

3- Fator obesidade
Já a principal causa do diabetes tipo 2 é a obesidade. Tanto é que de 60% a 90% dos diabéticos tipo 2 são obesos. A doença, em geral, atinge pessoas acima dos 40 anos. Nesse caso, a insulina continua a ser produzida, porém não atua no organismo. Por várias razões, ela não consegue entrar nas células musculares para queimar a glicose. Daí, o acúmulo de açúcar na corrente sanguínea. Outro fator que fortalece a idéia de que a obesidade é a causa principal do diabetes tipo 2 é o fato de ser, atualmente, cada vez mais comum sua presença em criança e adolescentes acima do peso e sedentárias, ainda que nelas a produção de insulina continue normal.

4- De pai para filho
O fator hereditário é preponderante para o desenvolvimento da doença, principalmente no tipo 2. Além da predisposição genética, fatores como os maus hábitos alimentares - que levam à obesidade - e o sedentarismo da vida moderna são os principais responsáveis para o surgimento da doença. Esse dado é importantíssimo, pois, segundo os especialistas, quem tem casos de diabetes tipo 2 na família deve tomar cuidado redobrado com os níveis de glicose no sangue

5- Sintomas tardios
As pessoas com níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue, em geral, apresentam vários sintomas como: muita sede, vontade de urinar várias vezes, perda de peso mesmo comendo mais do que o habitual, fome exagerada, visão embaçada, infecções repetidas na pele ou mucosas, machucados que demoram a cicatrizar, cansaço inexplicável e dores nas pernas por causa da má circulação. Em alguns pacientes, os sintomas nem aparecem ou só surgem muito mais tarde. Por isso, é considerada pelos médicos uma doença silenciosa. "Em muitos casos, quando é feito o diagnóstico, o paciente já é portador da doença há oito ou até dez anos. E, não raro, existem complicações, como problemas de visão", avisa Marcio Krakauer, endocrinologista, presidente da Associação dos Diabéticos do ABC e coordenador da Liga de Diabetes da Faculdade de Medicina do ABC.

6- Exercícios físicos: a melhor prevenção
Os especialistas alertam: atividades físicas são fundamentais para o controle da glicose no sangue. Mas não apenas porque exercícios ajudam na perda de peso e no combate à obesidade.

"As atividades físicas melhoram diretamente a ação da insulina no organismo. Por isso, o paciente começa a se sentir melhor antes até de acontecer a perda de peso", esclarece Helena Machado. Vale lembrar que no diabetes tipo 2 a insulina está presente. Entretanto, apesar de o hormônio estar presente no sangue em quantidades normais, não consegue "queimar" o açúcar circulante nesse mesmo sangue. É importante seguir rigorosamente a recomendação médica: para a prevenção da doença, o melhor é controlar o peso, fazer exercícios e realizar exame para saber a quantas anda a taxa de açúcar no sangue pelo menos uma vez ao ano. Para os pacientes acima de 40 anos ou com sobrepeso e histórico familiar na doença, esse controle deve ser feito com maior freqüência, a cada seis meses.

7- Como controlar taxas de glicose
Quanto mais cedo forem feitos o diagnóstico e o controle da taxa de glicose no sangue, menores são os riscos de o paciente desenvolver complicações crônicas, como problemas na visão (retinopatias), nas pernas (neuropatias) e nos rins (nefropatias). Para o controle da doença, especialistas recomendam dieta com restrição de açúcares, atividades físicas e, se necessário, hipoglicemiantes orais, que são medicamentos usados para controlar a glicose. Diferente do tipo 1, nem sempre o portador de diabetes 2 precisa de insulina injetável. "Se a doença estiver numa fase tardia, quando o pâncreas já não produz mais insulina, aí, sim, as aplicações diárias do hormônio serão necessárias", diz Helena Atroch Machado, endocrinologista do Hospital e Maternidade São Camilo, de São Paulo.





 
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