Pane cerebral Dados do Ministério da Saúde alertam: o acidente vascular cerebral é hoje a doença que mais mata no Brasil. Para se prevenir, é fundamental reconhecer os primeiros sintomas
POR STELLA GALVÃO
O AVC PROVOCA ALTERAÇÕES MOTORAS, DORMÊNCIA E FORMIGAMENTO QUE COSTUMAM AFETAR APENAS UM LADO DO CORPO
A advogada Vanessa Bilha Queiroz Rodrigues, 28 anos, foi vítima de dois derrames em março e em junho deste ano. No primeiro, ela perdeu temporariamente o movimento de pernas e braços e passou a ver tudo embaçado. No hospital em que foi atendida, em Mogi das Cruzes, SP, onde mora, encaminharam-na para uma neurologista que diagnosticou crise nervosa. Refeita e sem seqüelas, Vanessa teve uma dor de cabeça insuportavelmente forte em 3 de junho. No dia seguinte, acordou com tonturas. O marido a levou à neurologista, que prescreveu calmantes quatro vezes ao dia. Ao consultar outro neurologista, soube que tinha tido seu segundo derrame. Foi internada em São Paulo para tratamento durante 15 dias e agora está bem - "só engasgo ao falar às vezes".
Impacto das seqüelas
As seqüelas mais comuns - o acidente costuma deixar algumas limitações físicas - como a hemiplegia (o paciente não consegue comandar um de seus lados) e a afasia (problemas de fala) prejudicam a qualidade de vida das vítimas, que, além de tudo, são candidatas a sofrer um novo derrame. "A gravidade do AVC é diretamente proporcional à extensão e localização da lesão cerebral", explica Eli Evaristo. Por outro lado, como no caso de Vanessa, a recuperação nos mais jovens pode ser mais fácil. No Brasil, estima-se que haja pelo menos 2,5 milhões de sobreviventes de AVC. Cerca de 70% deles apresentam seqüelas de leves a graves e 30% têm plena recuperação funcional.
Além disso, o que nem todo mundo sabe é que existem sinais de que o AVC está a caminho. Entre eles estão: perda visual transitória, diminuição da força em um lado do corpo, dificuldades para andar e falar. Surgem inesperadamente e permitem recuperação em menos de 24 horas. Por isso, são chamados de ataques isquêmicos transitórios. "Se as pessoas aprenderem a reconhecer os sintomas e souberem que ele tem como ser tratado, muitas vidas poderão ser salvas", afirma Li Li Min, da Unicamp.
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