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Edição 109 | EXPEDIENTE |
Recentes estudos confirmam: viver sozinho é prejudicial à saúde, principalmente à do coração. Para evitar os danos, psicólogos ensinam o que fazer para viver rodeado de amigos por Cristina Almeida
Faça contato Colocadas em prática essas novas estratégias, quanto tempo deve-se esperar para obter resultados benéficos? A psicóloga americana responde que isso depende de como anda a saúde de cada pessoa. Seus estudos indicaram que os genes não são estáticos. Aqueles que não mantêm uma vida social saudável despertam dentro de si genes que provocam inflamações na mesma proporção que reduzem os que deveriam combatê-las. Indivíduos integrados socialmente têm maior chance de evitar o desencadeamento desse processo. E exemplifica: “Pessoas solitárias estão no grupo de risco da depressão. Reduzir os sentimentos de solidão pode ajudar rapidamente a diminuir os sintomas correlatos. Porém, no caso de pessoas solitárias e com pressão alta, por terem vivido nessa situação por muito tempo, às vezes é muito tarde para voltar aos níveis originais”. Conforme Louise, essa é uma das razões pelas quais as mudanças psicológicas podem levar algum tempo para ter o efeito desejado: “Em nosso modelo teórico de solidão, pensamos que, quando a situação é crônica, há uma aceleração do típico declínio psicológico relacionado à idade. Isso é inevitável, mas a porcentagem de pessoas que perderam sua capacidade de recuperar o vigor psicológico é maior entre as pessoas solitárias que nas não solitárias”. De todo modo, afirma, “é melhor lutar contra a solidão e buscar o contato com outras pessoas”.
Amigos e longevidade Outro estudo realizado na Austrália confirma as conclusões da pesquisadora americana. O levantamento foi realizado pelo Centro do Envelhecimento da Universidade de Flinders (Adelaide), onde se concluiu que ter amigos está ligado à longevidade: pessoas com uma boa rede de amigos e confidentes vivem 22% mais tempo do que aqueles que se isolam. A pesquisa australiana revelou que a família é importante, mas sua influência para a saúde não é tão grande como a dos amigos. A explicação para isso estaria no fato de que são eles nossos maiores incentivadores para nos cuidarmos melhor, parar de fumar ou beber e procurar ajuda médica diante de algum sinal físico importante. Além disso, são os amigos que estão por perto para ouvir e ajudar a enfrentar os momentos difíceis, muitas vezes vividos dentro da própria família. Ainda segundo o estudo, pouco importa se é uma amizade de longa data ou não. A mensagem central é que manter um senso de sociabilidade entre amigos aparece como fator relevante à sobrevivência. Para além dos efeitos na saúde, outro aspecto a ser considerado são os sintomas psicossociais decorrentes da solidão. Alguém que viva só pode sentir- se excluído, e essa sensação se exterioriza em forma de tristeza, estresse, ansiedade, raiva, medo, negativismo, baixa auto-estima e percepção de pouco apoio social. Frio da solidão A respeito desses sentimentos, uma recente pesquisa realizada na Universidade de Toronto e publicada na revista Psychological Science concluiu que as metáforas relativas à solidão, ligadas ao frio, correspondem à realidade dos fatos. Pessoas que se sentem excluídas sentem mais frio porque sentir-se só altera a capacidade de percepção de calor.
Na opinião do médico, sociólogo e psicoterapeuta italiano Francesco Alberoni, autor do livro A amizade (Ed. Rocco), esse fenômeno acontece porque ter amigos é uma necessidade humana que nos acompanha por toda a vida e se manifesta nos primeiros anos na infância. Para o escritor, quando nos apaixonamos por alguém, sabemos que estamos correndo um risco. No caso das amizades, iniciamos o percurso atentos aos princípios da realidade e da reciprocidade: “Nós nos tornamos amigos de quem se demonstra amigo. A amizade não se baseia somente na simpatia, mas também na confiança. O amigo é aquele em quem você pode confiar. Porém, é preciso fazer uma distinção: amizade entre companheiros e colegas e amizade verdadeira. Podemos ter muitas amizades, mas somente poucos amigos verdadeiros”. Estes seriam aqueles que nunca nos entendem mal e são capazes de transmitir aquela sensação de calor humano, que só a certeza de que temos com quem contar pode nos dar. Para aqueles que desejam construir laços de amizade, mas não sabem como fazê-lo, o sociólogo italiano aconselha tranqüilidade e otimismo: “Devemos pedir aos outros aquilo que desejamos e perguntar a eles o que esperam de nós”. “A via mais simples é sempre aquela mais direta. Vale na relação com os colegas, entre amigos e até entre os casais”, completa.
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