Seu joelho merece mais atenção!
Por Rita Trevisan
Estrutura complexa
Ninguém precisa ser doutor em Biologia para imaginar que a função principal do joelho é auxiliar na movimentação das pernas, ajudando-as a resistirem ao peso do corpo. O que pouca gente conhece são os elementos que compõem essa articulação, a maior do nosso corpo. Estamos falando de ossos, músculos, cartilagem, ligamentos e tendões.
“Em outras partes do corpo, como no quadril, temos ossos que se encaixam perfeitamente. Como a área de contato entre eles é grande, a estabilidade da região é maior. Com o joelho, isso não acontece. Ele conecta o fêmur, a tíbia e a patela, que são estruturas ósseas muito diferentes. Já que não é possível encaixá-las perfeitamente, contamos com ligamentos, tendões e cartilagens, que não fazem outra coisa senão ajudar a manter a articulação unida, embora flexível o suficiente para garantir os movimentos”, explica Ricardo Cury, ortopedista do grupo de Cirurgia do Joelho e trauma esportivo da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e diretor do comitê de Cirurgia do Joelho da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).Não bastasse essa complexidade anatômica, o joelho tende a apresentar mais problemas com a passagem do tempo. O envelhecimento enfraquece os ossos e o líquido sinovial, que lubrifica a articulação, diminuindo sua viscosidade. Ligamentos e tendões ficam menos elásticos e mais suscetíveis a rompimentos. E tem mais: a cartilagem também vai se gastando e não há como reconstruí-la.
Nesse cenário, mesmo sem fazer nada, já correríamos o risco de sentir pelo menos uma dor incômoda no joelho de vez em quando. Mas nossos maus hábitos aceleram o processo de degeneração da articulação, e o que seria apenas um desconforto pode evoluir para uma lesão mais séria.
Soluções Possíveis
Embora as lesões que atingem os joelhos sejam variadas e frequentes (veja o quadro Problemas à vista), a boa notícia é que a maioria delas pode ser tratada — e com sucesso. “Os índices de cura giram em torno de 90%”, assegura o ortopedista Sérgio Mainine, professor da Faculdade de Medicina do ABC.
O avanço das tecnologias diagnósticas permite que exames complementares, como a ressonância magnética, sejam capazes de apontar com precisão o tipo de lesão que causa dor, inchaço ou dificuldade de locomoção. A partir desse retrato do problema, parte-se para a adoção da terapêutica mais adequada, dentro de um leque de possibilidades que vai desde a reabilitação por meio de exercícios até cirurgias delicadas e pouco invasivas.
Exercícios para reabilitação com o acompanhamento de um educador físico, no ambiente da academia, ou do fisioterapeuta, numa clínica especializada, continuam sendo indicados, em praticamente todos os casos de torções, estiramentos e inflamações. O objetivo principal é fortalecer e reequilibrar a musculatura, os ligamentos e os tendões que estabilizam a articulação, mantendo-a alinhada.
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| 1.Fêmur 2.Líquido Sinovial 3.Meniscos 4.Patela 5.Bursa 6.Tíbia |
Uma superestrutura foi montada, bem na metade das pernas, para ajudar a absorver o impacto do solo com os pés.
Os ossos que ali se conectam são revestidos por cartilagens em suas extremidades, que ajudam a reduzir o atrito durante os movimentos.
Entre o fêmur e a tíbia, duas cartilagens chamadas de meniscos funcionam como verdadeiros amortecedores, ajudando a distribuir o peso do corpo na articulação.
As bursas — bolsas repletas de líquido — fornecem proteção extra e os ligamentos laterais e posteriores reforçam a estabilidade da estrutura.
A patela protege a parte da frente da articulação, que conta ainda com um tecido responsável por secretar líquido sinovial, justamente o que lubrifica a articulação.
Mas, acredite se quiser, nem todo esse exército de matérias-primas naturais é capaz de proteger o seu joelho dos estragos que uma simples caminhada com um calçado inadequado é capaz de provocar.
Por isso, para passar bem longe desses incômodos, não basta escolher bem o tênis. É preciso respeitar o prazo de validade do calçado. Abusar da máxima “quanto mais velho, mais confortável” pode comprometer, da mesma forma, suas articulações. Com o desgaste, o calçado perde boa parte de suas funções amortecedoras. |
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