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Edição 106 | EXPEDIENTE
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  Seu joelho merece mais atenção!

Por Rita Trevisan

PROBLEMAS À VISTA

As reclamações mais frequentes nos consultórios de Ortopedia tendem a começar assim: “Estou com uma dorzinha no joelho, doutor”. Os diagnósticos que explicam o incômodo indicam inflamações, torções, deslocamentos e até rompimentos em uma das estruturas da região. Entenda algumas das complicações mais comuns:

INFLAMAÇÕES: são uma resposta natural que o corpo dá a qualquer tipo de agente agressivo, seja ele um organismo estranho ou o ataque representado pelo esforço repetitivo ou intenso, que exige demais da articulação. “Na maioria das vezes, elas aparecem quando se faz um esforço grande sem, antes, dedicar-se ao preparo necessário”, explica o ortopedista Ricardo Cury.

A inflamação pode atingir apenas um tendão — quando é chamada de tendinite — ou pode se disseminar por toda a articulação, e então passa a ser chamada de artrite. Os sintomas mais frequentes são inchaços, dor e o aumento da temperatura local.

TORÇÕES E DESLOCAMENTOS: basta um trauma — uma bola que bate com força no joelho durante uma prática esportiva, por exemplo — para que algumas estruturas sejam lesionadas. Ligamentos, tendões e a cartilagem dos meniscos são normalmente as mais afetadas. O impacto é sentido imediatamente: a dor e o inchaço são os sintomas mais comuns. Dependendo da intensidade do trauma, pode haver, ainda, a ruptura dessas estruturas.

ESTIRAMENTO OU DISTENSÃO: também provocado por um trauma, começa quando ligamentos, tendões ou músculos esticam acima da sua capacidade normal, provocando um desequilíbrio na articulação e tendo como consequência uma dor local de moderada a muito intensa. Da mesma forma, dependendo do tipo de trauma, pode haver, ainda, a ruptura dessas estruturas.

RUPTURAS: além da dor, um sinal bastante comum da lesão é a sensação de que o joelho “sai do lugar” quando em movimento, ou seja, que há um deslocamento estranho na estrutura interna. E não por acaso. Quando um ligamento, tendão ou uma das cartilagens se rompe, toda a articulação perde a estabilidade.

DESGASTES: um dos problemas mais sérios, quando se fala em joelhos, é o da perda da cartilagem que recobre toda a estrutura. “Como é uma região que não tem circulação sanguínea própria, uma vez degenerada, não há como reconstruí-la. Todos os tratamentos utilizados são no sentido de aliviar os sintomas e impedir que o processo avance”, explica Sérgio Mainine. Como a cartilagem é a estrutura que reveste as extremidades do fêmur e da tíbia, ela ajuda a reduzir o atrito durante os movimentos. Com seu desgaste progressivo e natural, a estrutura pode apresentar pequenas fissuras. Os sintomas são dores locais e não raro é possível perceber certo rangido dos ossos nos movimentos de locomoção. Em nível avançado, o problema é chamado de artrose.

Quando optar pela cirurgia

Para problemas de artrose leve a moderada, a visco-suplementação é uma das terapêuticas mais utilizadas. A técnica permite lubrificar a articulação, por meio de uma infiltração feita diretamente no local. O tratamento não é apenas preventivo. “O composto utilizado, um derivado do ácido hialurônico, nutre a cartilagem e impede que o problema se agrave”, conta Mainine.

Em casos mais extremos, de artroses severas, rompimentos de ligamentos e tendões, o procedimento cirúrgico é indicado na maioria dos casos. Mas mesmo essas intervenções, hoje, são muito mais simples. Minimamente invasivas, as artroscopias são as operações mais usadas. Elas permitem que a reabilitação dos tecidos lesionados, como ligamentos e meniscos, seja feita por meio de duas pequenas incisões. Isso reduz o tempo de recuperação e eleva a taxa de sucesso, pois o trauma é muito menor. A introdução de uma microcâmera em uma das incisões permite que o cirurgião acompanhe todo o procedimento por um monitor.

No caso dos joelhos, as intervenções cirúrgicas mais comuns têm o objetivo de retirar partes dos meniscos que já sofreram muito desgaste, suturar estruturas danificadas dessa cartilagem, substituir tendões e ligamentos rompidos. “Normalmente, retiramos um tendão de outra parte do próprio joelho e recolocamos no lugar daquela estrutura danificada e que é essencial”, esclarece Ricardo Cury.

Quando as lesões estão muito avançadas, o último recurso é mesmo a prótese. “Trata-se de uma estrutura que substitui a superfície do joelho, fazendo as vezes da cartilagem que protege tanto o fêmur quanto a tíbia dos atritos, e que conta ainda com ligas de aço e pastilhas, que imitam as estruturas naturais”, explica Victor Marques de Oliveira, ortopedista que faz parte dos grupos de Cirurgia do Joelho e Trauma Esportivo, da Santa Casa de São Paulo.

 

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